Bullying espiritual

Dezembro 6th, 2012

– Hoje temos connosco no programa Alpistas do Crime, o senhor Sebastião Corvo, que tem algumas reclamações a fazer relativamente ao estado da justiça portuguesa. Senhor Sebastião, boa madrugada, o senhor sente que a justiça não se faz neste País, não é assim?

– É assim, sim, Simão. A justiça não se faz, nem deixa que outros a façam.

– Quer-nos explicar o que o  leva a estar tão triste com a justiça?

– Quero, sim, Simão. O que se passa é que eu sou vítima de bullying espiritual já há muito tempo, tenho-me queixado frequentemente às autoridades e ninguém faz nada para pôr fim a este suplício.

– Pode-nos explicar o que é o bullying espiritual?

– Sim. É simples, Simão. Há já muito tempo que uma dúvida me assalta o espírito. É recorrente. Uma, outra vez e mais outra. Quando tive a certeza de que se tratava já de bullying e não apenas de uma dúvida obcessiva-compulsiva recorri às autoridades.

– E que resposta obteve?

– Silêncio sibilino Simão. Ficaram ali especados a olhar para mim fixamente durante três ou quatro minutos, quase como se estivéssemos a jogar ao sério, até que um dos polícias teve que ir dar uma farpa à rua e o outro, para não ficarmos em ambiente elevador, meteu conversa e disse que isso não era nada com eles e que devia ir a um psicólogo ou assim.

– Ou assim?

– Ou assim, sim, Simão!

– E o que fez a seguir?

– A seguir sumi Simão. Fui à minha vida. Mas depois continuaram os assaltos da dúvida ao meu espírito. O meu espírito começou a ficar amedrontado, a acordar á noite com suores frios e a fazer chichi na alma e a minha vida nunca mais foi a mesma. Voltei a queixar-me às autoridades cerca de 23 vezes, e nunca obtive qualquer tipo de reação da parte deles.

– Como acha que se resolve o problema?

– Só ao soco Simão! O que eu queria mesmo era ver a dúvida atrás das grades, que é onde pertence, mas a continuar assim só ao soco.

– Olhe, mas hoje temos uma surpresa para si Sebastião. Abram a porta número 2 para vermos o que lá está, por favor!

(Abre-se a porta número 2 e vê-se a dúvida vestida de presidiário, por trás das grades)

Está contente Sebastião?

– Sim, surpreendido e satisfeito Simão! Que vida descansada que vou ter agora, Já vou poder voar como dantes e picar miolos de cabra como antigamente. Que alegria! Muito obrigado ao Simão e à produção do Alpistas do Crime, que foram sempre impecáveis.

– Não tem nada que agradecer. estamos cá para isto. Quanto a si, que nos segue atentamente, bons sonhos e até ao próximo programa.

Natal 2012

Dezembro 3rd, 2012

Como não podia deixar de ser, aqui no Ninho celebra-se a entrada nas festividades natalícias com uma das mais belas pérolas de humor nacional, no saudoso Herman Enciclopédia.

Para ver e rever, duas vezes ao dia depois das refeições.

Boas festas!

Não chamem nomes aos animais

Novembro 13th, 2012

Nos últimos tempos tem-se acentuado a contestação social e isso terá feito esgotar a paciência dos animais, que veem frequentemente associados os seus nomes a adjetivos pouco edificantes, como forma de insulto para os sujeitos visados.

Temos hoje connosco o Dr. Tó Reco, presidente do movimento “Não chamem nomes aos animais”.

– Boa noite Dr. Tó. O vosso movimento está agastado com a permanente  associação de adjetivos pouco abonatórios aos vossos nomes. Pode-me dar exemplos desta prática?

 – Claro que sim. Tornou-se um hábito quase. Veja nas manifestações – e comecemos por um caso que me diz muito – a quantidade de vezes que os políticos são chamados de porcos fascistas. Diga-me por favor quando é que viu algum porco a saudar uma bandeira nazi ou a desfilar com a mocidade portuguesa? Nunca! E no entanto a expressão popularizou-se. Outra: porco chauvinista. Nem sei o que é chauvina, como é que podia ser chauvinista!?!

– E isso incomoda-o?

– É evidente! Imagine que era consigo. as pessoas andarem por aí a associar a sua personagem humana amaricada aos ideais fascistas. Queria ver se gostava de ver as pessoas andarem por aí a gritar “Panisgas fascistas! Panisgas fascistas!” ?!?

– Tem razão. Que horror! Até porque nós preferimos ser chamados de homosexuais.

– Tá a ver? Também nós preferimos que nos chamem suínos, mas isso até já damos de barato!

– E é só com os suínos que acontecem estas associações?

– Nem pensar! Já ouviu de certeza expressões como “vaca mal cheirosa”, “cabra interesseira”, raposa matreira”, “burro teimoso”, “pato bravo”, “rato cobarde” ou “cão raivoso”, isto só para mencionar alguns. Ora isto tem que acabar, porque a maior parte dos animais é digno, honesto e não tem nada a ver com estes epítetos.

– E então o que é que vocês querem que seja feito?

– Sabemos que será difícil que as pessoas deixem de usar as expressões, mas ao menos que sejamos ressarcidos monetariamente pelo constante vilipendiar da nossa imagem.

– De que forma?

– Criando uma taxa anti-adjetivação perjorativa dos animais, cujas receitas reverterão a favor do nosso movimento.

– Basicamente, o que vos move é o dinheiro.

– Nem pensar nisso! Mais ou menos. Estamos em crise, não sei se sabe. Sim. É um bocadinho isso.

– E as questões éticas e morais que levantaram? Deixam de interessar?

– Não vamos fazer mais comentários, porque denoto alguma má vontade da sua parte.

– Deixa de fazer sentido a vossa indignação, já que os vossos valores ficam corrompidos.

– Não vá por aí caro amigo, que ainda se aleija!

– A nobreza da vossa ação esvazia-se e…

– Olha o c@?@/#0 do homem, hã!? Deixe-se de ser fuínha e meta-se na sua vida! Paneleiro de m€?&a!

Wannabe

Novembro 6th, 2012

Eu sei, eu sei.

Nunca mais disse nada, nem um telefonema, nem uma carta, nem nada.

Sei que alguns devem estar chateados porque abandonei o tasco, outros – muitos mais -, estarão aliviados porque deixei de entupir a sua via de sanidade mental.

No entanto, deixem-me dizer-vos em minha defesa que esta longa ausência se deveu a uma boa causa.

A meio caminho entre um filho biológico e outro, dediquei os últimos meses a gerar um filho profissional, que já veio ao mundo, no final do mês de outubro.

Quis apresentar-vos em primeira mão a sua face, mas o tempo que me ocupou foi tanto que só agora tenho um bocadinho livre para vos poder falar dele.

Podem visitá-lo em www.wannabe.com.pt, e também no Facebook, Twitter ou Google +, se preferirem.

Dêem-lhe carinho, alimentem-no, façam comentários, partilhem-no, porque este, ao contrário dos biológicos, é um filho que quero o mais exposto ao mundo possível.

Prometo vir aqui com mais regularidade daqui em diante se o tratarem bem.

Espero que gostem!

 

Capacete de cabelo

Outubro 8th, 2012

Como andará a vida dos vendedores de laca?

Cada vez vejo menos gente a usar aqueles penteados armados, que fizeram as delícias de gerações mais antigas, e isso deve estar a afetar-lhes o negócio.

A minha memória armazena imagens riquíssimas de autênticos tratados de estruturas capilares, cuja sustentação só era possível com recurso a massivas doses de laca.

Sempre pensei que além dos evidentes benefícios de durabilidade estética, o uso destas armaduras de cabelo poderia substituir a utilização de capacetes, devido à sua rigidez.

No fundo, olho desde a minha infância as senhoras que as usavam como sendo as percursoras do tuning dos capacetes, as pioneiras do protetor craniano personalizado.

Na época que vivemos temos que ser criativos, adaptarmo-nos às necessidades do mercado, e assim sendo este é um caminho que a indústria laqueira devia estudar com mais atenção.

Pensem nos milhares, ou mesmo milhões, de motards, ciclistas e skaters que pagariam com o couro para blindar o cabelo, tornando-o no seu capacete integrado, ultra leve, bonito, único e, acima de tudo, seguro.

O desafio passa pela homologação desta tecnologia, mas tudo se faz quando se está tão cientificamente avançado.

Infelizmente, por efeitos da minha rarefação de crina, não poderei oferecer a cabeça à ciência para testar o produto, mas, meus caros CEO’s dos laquifícios, cá estarei para vos apoiar no que puder na vossa importante investigação e recolher os frutos económicos de tão visionária ideia.