Escarafunchadores de tomates

Fevereiro 27th, 2014

Todos conhecemos pessoas que passam o dia sem fazer nenhum, que fazem da sua profissão estar sentados em algum lado, a deixar o tempo passar, com produção zero.

É vulgar dizer que essas pessoas passam o dia a coçar os tomates.

Pois bem, tenho seguido com atenção o desenvolvimento profissional de algumas destas pessoas e estou em condições de vos assegurar que há quem já esteja num nível muito avançado de dedicação ao coçatomatismo.

O seu comprometimento com esta causa é tanto que eles já não coçam.

Escarafuncham!

O coçador de tomates tradicional ainda se ajeita na cadeira quando alguém se aproxima, ficando numa postura mais vertical, faz um olhar muito sério para o monitor, como se estivesse realmente concentrado, ou bate furiosamente com o lápis na mesa, olhando o infinito ou o teto, à procura daquela solução para um problema imaginário que o apoquenta há 6 horas… ou 600 horas, se preciso for.

O escarafunchador de tomates é alguém que já nem as aparências tenta manter.

É alguém que leva para o emprego a sua caneca, a sua roupa mais confortável, que comenta em tempo real com os colegas o vídeo humorístico que está a ver, partilha e-mails de ursinhos pelo endereço profissional e que faz do seu dia uma enorme pausa para café.

Também se poderá reconhecer o escarafunchador de tomates pela sua permanente atualidade em relação à Casa dos Segredos e derivados, pelo seu despudor em  pavonear o seu “tempo livre” pelo escritório, pela permanente evangelização perante os colegas – porque ele é que a sabe levar -, e pelo desgaste acentuado do tecido que enverga na zona das virilhas.

Atenção que não estou aqui para achincalhar os escarafunchadores de tomates!

É gente normalmente muito bem apessoada, muito bem relacionada, com um enorme valor potencial secreto e um poder de dimensões indecifráveis que os mantem nos lugares.

A evolução natural do escarafunchador de tomates passará por futuramente envergar o belo do roupão no trabalho, de pantufinha nos pés e vendas nos olhos, para seu máximo conforto no local de trabalho.

Já faltou mais, mas ainda assim, parece que resta uma nanopinga de vergonha a essa gente.

O que é verdadeiramente incrível é que, mesmo com a enorme crise que atravessamos, é uma espécie que teima em não se extinguir.

É porque alguém os alimenta, o que está bem, porque têm os mesmos direitos dos outros animais.

crotch-hole


Trackback URI | Comments RSS

Leave a Reply

Name

Email

Site

Speak your mind