O homem mais praxado de Portugal

Janeiro 30th, 2014

A propósito do triste episódio de um professor praxado na Universidade do Minho, achamos oportuno entrevistar o cidadão mais conhecedor de praxes em Portugal.

José Carlos Loiro – ou Zeca Loiro, como também é conhecido – é uma figura incontornável quando se fala de praxes, pois é ele próprio quem se intitula “o homem mais praxado de Portugal”.

Fomos falar com ele.

Ninho de Pássaro (NP) – Bom dia José Carlos. Afirma-se como o homem mais praxado de Portugal. Tem ideia de quantas vezes foi praxado?

Zeca Loiro (ZL) – Bom dia. Pelas minhas contas fui praxado para cima de 1472 vezes.

NP – 1473?

ZC – Talvez. Ou mais. Não sei bem.

NP – Lembra-se da primeira vez que foi praxado?

ZL – Claro que sim. Lembro-me como se fosse hoje. Eu vinha a passar em frente a uma mercearia e vi um senhor a praxar a logista, perguntando-lhe “sabes o que é um bagalho?”. Ao ouvir isto adverti o senhor que o que estava a fazer não tinha graça e não era permitido na mercearia. Foi aí que passei eu a ser o objeto da praxe questionando-me agora a mim o senhor se sabia o que era o que descrevi acima. Fiquei estupefacto com a situação e dirigi-me a ele perguntando-lhe se tinha confiança comigo para me falar daquele modo. Ao aproximar-me fui abordado fisicamente por um sem abrigo anão que estava à porta, que me agarrou (imagino que a pensar se iria agredir o senhor, coisa que obviamente não era minha intenção). Enquanto estava manietado, a pergunta referida foi-me endereçada mais algumas vezes.

NP – Que horror!

ZL – Um verdadeiro horror, digo-lho eu!

NP – Houve mais episódios de praxe violenta que se consiga lembrar?

ZL – Infelizmente sim, porque as pessoas parece que embirram comigo, sabe? Certo dia, cheguei a uma retrosaria de manhazinha e vi uma velhota a praxar um miúdo, perguntando-lhe “sabes o que é um nagalho?”. Ao ouvir isto adverti  a velhota que o que estava a fazer não era rizível e não era permitido na retrosaria. Foi aí que passei eu a ser o objeto da praxe questionando-me agora a mim a velhota se sabia o que era o que descrevi acima. Fiquei boquiaberto com a situação e dirigi-me a ela perguntando-lhe se já não tinha idade para ter juízo, para me falar daquela forma. Ao aproximar-me fui abordado fisicamente por uma senhora maneta em cadeira de rodas, que me deitou a luva (imagino que a pensar se iria dar um sopapo à velhota, coisa que logicamente nunca faria). Enquanto estava subjugado, a pergunta referida foi-me mais algumas vezes feita.

NP – Que barbaridade!

ZL – Uma verdadeira barbaridade, é o que lhe digo!

NP – Eu sei que deve ser duro para si, mas importa-se de partilhar mais um episódio de praxe abjeta?

ZL – Claro que sim. Tenho que partilhar, que é para chamar a atenção para este assunto. Conto-lhe o último, que ainda me põe a tremer. A semana passada, estava numa quinta e vi um agricultor a praxar uma vaca, perguntando-lhe “sabes o que é um cangalho?”. Ao ouvir isto adverti o agricultor que o que estava a fazer não tinha piada e não era permitido na quinta. Foi aí que passei eu a ser o objeto da praxe questionando-me agora a mim o agricultor se sabia o que era o que descrevi acima. Fiquei atónito com a situação e dirigi-me a ele perguntando-lhe se tinha andado com ele na escola, para me falar daquela maneira. Ao aproximar-me fui abordado fisicamente por uma ovelha, que me agarrou (imagino que a pensar se iria dar uns patarrões na boca do agricultor, coisa que jamais passou pela minha cabeça). Enquanto estava dominado, a pergunta referida foi-me dirigida mais algumas vezes.

NP – Uma barbárie!

ZL – Uma verdadeira barbárie, estou-lhe a dizer!

NP – Vá lá que no meio disso tudo não lhe fizeram como ao professor da Universidade do Minho, que lhe perguntaram se sabia “o que é o caralho?”.

ZL – Oh! Esse é um mariquinhas. Toda a gente sabe que caralho é a palavra com que se denominava a pequena cesta que se encontrava no alto dos mastros das caravelas, de onde os vigias prescrutavam o horizonte em busca de sinais de terra. Não percebo a indignação!

NP – Uma última pergunta: sabe o que é “chiribi ta ta ta ta”?

ZL – Também vocês, caramba? Vocês envergonham a vossa profissão! Isto é um ultraje! Devo advertir-vos que isso não é engraçado e que não é permitido aqui nesta estrumeira.

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Visitas hospitalares

Janeiro 23rd, 2014

É sabido que as visitas dos familiares e amigos mais próximos são um aconchego para a alma de quem se encontra hospitalizado.

É um apoio psicológico e logístico, mas é, acima de tudo, o reconforto de ter por perto aqueles de quem mais gostamos, e uma forma de transformar aquele espaço de dor um pouco mais suportável, sentindo ao nosso lado o que de mais importante o nosso lar tem.

Isso é uma coisa.

Outra coisa, são as pessoas que insistem em ir visitar alguém que está no hospital, mesmo que não tenham grande ligação com essa pessoa, nem carreguem com elas nada de positivo para ajudar naquele momento difícil.

Há pouco tempo tive a oportunidade de estar perto da imensa fila de espera num hospital público, em hora de visitas, e apercebi-me que há indivíduos que nem sequer sabem o nome da pessoa que vão visitar.

Fazem-no por bons motivos?

A maioria, certamente, mas há autênticos profissionais da visitação, que vão repartindo o seu tempo entre os hospitais e os funerais, por “respeito” e “consideração” às pessoas.

Fazem-no de forma solene, semblante carregado e com a máxima atenção para o que se passa em redor, registando os movimentos que lhe parecem fora da norma e não se coibindo de os comentar.

Bisbilhotice, insensibilidade, invasão de privacidade, cara de pau?

Não!

“Altruísmo”, “amizade”, “solidariedade”, “apoio”.

Quem é que no seu perfeito juízo acha que alguém fica extremamente contente por ver entrar porta dentro uma pessoa que não nos é muito próxima quando estamos adornados de gaze e agulhas, vestidos de batinha hospitalar, sem roupa interior, de olhos vidrados e a espumar pela boca?

Quem é que se sente mais confortável por ter ao lado alguém a fazer perguntas bacocas e a debitar casos de “amigos” que padeceram da mesma coisa, quando estamos débeis, dormentes, limitados a olhar em frente, submetidos à prisão da cama e com a mala da dor carregadinha até cima?

Já ouviram falar de “Turismo Negro“?

Tenho para mim que o “turista negro” dá os seus primeiros passos e se revela primeiramente nas visitas hospitalares.

É começar a cobrar bilhete a estas pessoas.

E não é difícil perceber quem elas são, pela maneira como se apresentam e pela forma fluída com que interagem com os espaços e funcionários dos hospitais.

Pode ser que seja esta uma inovadora e bem sucedida forma de financiamento dos hospitais, que venha contribuir para o abaixamento das taxas moderadoras.

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Champignons League

Janeiro 16th, 2014

Regista-se neste momento, em Portugal uma verdadeira explosão da cultura do cogumelo.

Por todo o lado do território nacional surgem novos produtores, reforçando a ideia de que este é um negócio com potencial, onde Portugal tem todas as condições para se destacar.

Parece então ser esta uma oportunidade única de brilharmos ao mais alto nível, e por isso mesmo deveríamos fazer pressão junto da comunidade internacional para que seja criado um campeonato em torno da produção de cogumelos, onde pudéssemos espraiar toda a nossa categoria.

Já que é raro ganharmos alguma coisa internacionalmente no desporto de eleição lusitano, o futebol (salvo honrosas exceções que nos devem orgulhar a todos), que haja uma Champignons League onde possamos ser campeões com bastante regularidade.

O primeiro passo é fazer pressão para a criação da UECA (Union of European Champignon Associations), onde registaremos a nossa Federação Portuguesa de Champignons, dando acesso aos nossos produtores à tão desejada competição.

Depois é deixar as coisas acontecerem com naturalidade e ver os nossos míscaros e tortulhos em competição direta com a restante cogumelagem europeia, até à vitória final.

A glória derradeira está reservada para a conquista do título mundial que deverá ocorrer numa competição organizada pela FICA (Fédération Internationale de Champignons Association), mas vamos pensando numa coisa de cada vez, para não nos deslumbrarmos.

Mal posso esperar para ver um dos nossos compatriotas, o nosso futuro Cristiano Ronaldo dos cogumelos, a erguer bem alto este belo troféu.

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Magagaga

Janeiro 9th, 2014

Poucas são as figuras consensuais, que pelos seus feitos, valores e forma de estar na vida merecem a admiração de todo um povo.

Eusébio da Silva Ferreira juntou ao seu inegável e enorme talento futebolístico a sua humildade, simpatia e desportivismo, que o tornaram num símbolo maior do futebol, do desporto e de Portugal.

Para todos que amam o desporto, e o futebol em particular, Eusébio foi, é, e será, uma figura incontornável, que inspirou a sua geração e as que se seguiram, e que continuará a ser um exemplo que devemos manter vivo na nossa memória.

Os Homens de valor devem sempre ser lembrados, sem idolatrias mas com imenso respeito e admiração, e por isso, à falta de estórias pessoais passadas com ele e palavras dignas da sua grandiosidade, aqui deixo estes dois vídeos muito interessantes para quem o quiser conhecer melhor.

Descansa em paz Magagaga.

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Ready, set, go!

Janeiro 2nd, 2014

Já há muito não tinha esta sensação de estar na linha de partida, à espera que caia o verde para arrancar a todo o gás.

É assim que entro em 2014.

Tanque cheio, pneus com a pressão certa, motor afinado, equipa preparada e motivada para dar todo o fundamental apoio nas boxes.

Dentro do veículo já se sente o pulsar acelerado do coração, estando o piloto cheio de força, confiança e vontade, para fazer a vida avançar a toda a velocidade, acelerando a fundo nas retas e agarrando com unhas e dentes todas as novas oportunidades que apareçam nas curvas, sempre com muito ritmo, batida e harmonia.

Os extintos Da Weasel, marcaram uma parte importante da minha vida, musicalmente, e por isso me lembrei de os trazer cá para dentro, para dar ambiente sonoro a este estado de espírito.

Vamos lá a isso, que estou ansioso para pôr o pé na tábua.

E vocês, estão prontos?

Ready, set, go!

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