Ano Asiático

Dezembro 26th, 2013

Quase findo que está este ano, é hora de olhar para trás e ver como é que correu.

Se tivesse que definir este ano numa só palavra, diria que este foi, para mim, um ano asiático.

Asiático porque foi agridoce, como é comum na gastronomia dessa região do globo, e também porque chego ao fim do ano com um sentimento de azia muito forte.

Neste ano tive a maravilhosa chegada de mais um elemento à família.

Um pequenino pintainho rechonchudo que encheu o nosso ninho e completou a família, trazendo com ele mais alegria, mais amor e uma magia de interação fraterna que nos enche os corações todos os dias.

Esta foi a parte mais doce de todo o ano, com um nível de doçura tal que quase fez esquecer o que de amargo 2013 nos trouxe.

Mas é difícil esquecer a amargura de ver acabar um projeto profissional pessoal, ao qual tanto me entreguei e no qual tanto acreditei.

Mais ainda quando sei que nada mais podia ter feito, dadas as fortes condicionantes externas ao próprio projeto, e porque, chegando ao seu final, desemboquei numa situação de desemprego, que nunca tinha vivido anteriormente.

Uma grande angústia, reforçada pela falta de apoios no desemprego e pela coincidência da minha cara metade se deparar com a mesma situação, no regresso ao posto de trabalho após a licença de parto.

Com o ninho mais cheio e numa situação profissional tão fragilizada, vivi uma angústia que nunca tinha pensado viver.

Nunca fui de baixar braços, nem de pessimismos, por isso, felizmente, fiz o que sempre faço, que é encarar os problemas de frente e partir para a luta, com o privilégio de poder contar com o escudo de uma estrutura familiar forte, solidária e sempre presente.

Serviu este tempo de interregno para aprender mais, para reforçar e adquirir novas competências e para organizar ideias, tendo sido também útil para perceber melhor o real estado das coisas em Portugal.

Infelizmente tive a oportunidade de constatar que o mercado de trabalho em Portugal até oferece bastantes oportunidades – não me posso queixar por aí, porque tive efetivamente muitas propostas de trabalho – mas a esmagadora maioria delas oferecem condições remuneratórias que roçam a escravidão, ou deverão ser entendidas, no mínimo, como um insulto ao brio profissional de quem tem muito mais valor para aportar a uma empresa do que o que lhe querem – ou podem – oferecer.

Estou por isso, cada vez mais, com vontade de voar para fora daqui, porque tenho que pensar cada vez mais nos meus pintainhos e no garantir de condições para que eles possam viver, e não sobreviver.

Já existem desafios profissionais para o próximo ano, aos quais me vou entregar de corpo e alma, como sempre faço, mas vou estar atento a todas as oportunidades que possam surgir para voar para onde possa encontrar melhores condições de vida.

Serei mais um, entre tantos, que não conseguem encontrar condições dignas de para ajudar o país a crescer e encontrar uma réstia de esperança num futuro digno dentro de portas.

A azia passa, porque tenho remédio para ela dentro de mim, já que aqui em casa existe valor, existe coragem, existe capacidade de trabalho e, portanto, todos os fatores de amargura que tive neste ano terão tendência a desaparecer e a transformarem-se em ferramentas de aprendizagem que saberei interpretar e utilizar futuramente.

Tenho que deixar aqui um imenso OBRIGADO a toda a minha família e amigos, que me ajudaram a suportar um ano tão difícil e a acreditar que melhores dias virão, muito rapidamente.

A doçura dos meus dois filhotes será combustível para fazer a máquina funcionar ainda mais eficazmente, sendo o garante de um futuro risonho, que fará de 2014 um ano bem mais doce e feliz.

Assim o espero, para nós e para todos os que me são queridos.

Um bom 2014 para todos!

Ano Asiático


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