Emprego no crime organizado

Setembro 12th, 2013

Eu e a minha mulher ficamos recentemente desempregados em simultâneo.

A busca por novas oportunidades de trabalho começou há pouco tempo, mas a certeza de que será um caminho difícil de percorrer já existem.

Numa primeira análise, face ao contexto nacional que vivemos, parece-me evidente que talvez tenhamos que ceder à tentação do crime organizado, que nos fez uma abordagem bastante tentadora, com vista a recrutar-nos para as suas fileiras.

O primeiro contacto que nos fizeram pareceu-nos despropositado, porque somos ambos míopes e com muito má pontaria, mas afinal não andavam à procura de atiradores qualificados.

Ciente da experiência administrativa da minha mulher, o crime organizado pretende que ela consiga implementar uma melhor indexação das pastas, permitindo um incremento nos acessos e a facilitação de consulta à gestão de topo.

Segundo fomos informados, por uma das sete fontes de S. Vítor, o negócio do crime organizado tem aumentado, sendo por isso difícil manter a mesma organização arcaica, baseada em pastas de chocolate suíço.

A organização da contabilidade (para que não se repita o “episódio Al Capone”), a coordenação das cobranças difíceis e a gestão de reclamações (que, não parecendo, são ainda algumas neste setor de atividade) são mais algumas tarefas que poderão vir a estar sob a sua alçada.

Os seus conhecimentos de fisioterapia permitem-lhe também acrescentar valor ao crime organizado, minimizando mazelas profissionais, como a tendinite de gatilho crónica, sendo também uma oportunidade de trabalho a considerar.

Ao que parece, aos olhos do crime organizado, eu poderei ser útil no desenvolvimento conceptual de crimes criativos, organização de eventos criminais, como diretor comercial para o ramo de estupefacientes e/ou carne humana, como gestor de projetos maquiavélicos ou como responsável pela imagem e comunicação do crime organizado.

Com o crescente aumento de países onde atua o crime organizado, o meu futuro poderá também passar por gerir uma agência secreta de viagens – a MOB (Meios Organizados de Biagem) – para permitir as deslocações e fugas de forma totalmente indetectável aos colaboradores do crime organizado.

A lavagem de dinheiro deverá ser uma missão comum aos dois: um a pôr na máquina, outro a pôr no estendal.

Neste momento estamos ainda em fase de organizar ideias, para depois dar uma resposta definitiva.

Se souberem de outro tipo de oportunidades de trabalho, fora deste âmbito, por favor digam alguma coisa.

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