Espremedoras de espinhas

Janeiro 31st, 2013

O que é que faz as mulheres gostarem tanto de espremer borbulhas?

Para qualquer homem, uma borbulha – ou espinha ou acne ou o que lhe quiserem chamar – é algo repugnante, com pús, inestético e doloroso.

A coisa menos sensual e atraente do universo logo a seguir a vómito a escorrer pelo canto da boca.

Aconselha-se distância visual e física deste tipo de protuberâncias para o sexo masculino.

No entanto, para as mulheres – ou um parte significativa delas, pelo menos – existe um magnetismo estranho pelas espinhas que as leva a entrar em êxtase quando vêem uma, na perspectiva de a poderem espremer.

Existirá algo mais inexplicável do que isto?

Andam por aí à cata de espinhas e quando vêem uma perguntam logo, com um sorriso na cara, se a podem espremer, como se isso fosse o ato mais fascinante de partilha do corpo que possam sugerir ao homem.

Às vezes penso se não estarei a gastar demasiado dinheiro a comprar presentes para a minha mulher.

Se calhar bastava deixar de me lavar e comer tudo o que potencialmente causasse erupção cutânea para a ver aos saltinhos sempre que chegasse a casa, como se todos os dias fossem de aniversário ou Natal.

Para sossego de quem abomina ser dolorosamente espremido já há quem tenha pensado na forma de acalmar a espinhoespremomania, e tenha desenvolvido uma aplicação para smartphones onde se pode espremer virtualmente espinhas da cara.

Deve estar para as senhoras com este fétiche como os pensos de nicotina estão para os fumadores, talvez não lhes satisfaça na plenitude a sua espinhoespremodependência, mas não deixa de constituir uma réstia de esperança de sossego indolor para quem se relaciona com estas espremedoras de espinhas.

Solicita-se aos programadores o desenvolvimento da variante pontos negros desta aplicação, por favor.

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Moncocausto

Janeiro 24th, 2013

Hoje temos conosco Frederico Burrié, presidente do MAM (Movimento de Alerta para o Moncocausto) que irá hoje fazer uma intervenção na ONU para dar conta das suas preocupações.

– Sr. Burrié, bom dia, qual é a mensagem que traz hoje à Nações Unidas?

– Bom dia! Olhe, o que nos traz aqui hoje é a necessidade de alertar o Mundo para o verdadeiro Moncocausto a que assistimos diariamente, sem que ninguém faça nada para o travar.

– Moncocausto é um expressão com a qual os nossos leitores talvez não estejam familiarizados, quer-nos explicar o que é?

– É a erradicação massiva e/ou deslocação involuntária de moncos, ou mucosidades nasais secas se preferir, das cavidades ou fossas nasais.

– E de que forma é que isso é feito?

– Olhe, isso é feito geralmente de forma manual, com a inserção do indicador para remoção das mucosidades secas da narina, nas mais variadas situações: no carro, na casa de banho, a ver televisão, … por todo o lado vemos seres humanos a esgravatar as fossas nasais extraindo moncos que não estão ali a fazer mal a ninguém.

– É portanto algo comum na sociedade.

– Evidente! É um flagelo diário. Um genocídio da nossa espécie que acontece por todo o lado, apesar de muitos o negarem.

– Não serão os moncos perigosos para a saúde dos humanos, no sentido em que obstruem as vias respiratórias?

– Isso é uma falsa questão! Nunca ninguém nos pediu que nos desviássemos, porque senão tínha-mo-lo feito. Somos secreções que gostamos de gerar consensos e não nos custava nada desviar um pouco para passagem de ar se alguém, alguma vez, nos tivesse pedido para o fazer.

– E se for alegado que vocês são saborosos e nutritivos, devendo por isso ser encarados como víveres?

– Só aceito esse argumento quando me mostrarem uma roda dos alimentos onde estejamos representados e um prato confecionado à base de moncos num restaurante com pelo menos uma estrela Michelin. Tudo o que for fora disso é pura demagogia e especulação.

– O que é que acontece às mucosidades secas depois de removidas das cavidades nasais?

– A maioria é realojada na cavidade bocal, mas não existem condições de habitação ali nem em nenhuma localidade do sistema digestivo. Sítios muito húmidos, escuros, sempre com comida a entrar e a sair e com um cheiro que não se aguenta. Demasiadamente insalubres para nós, que necessitamos de sítios com pilosidades que filtrem quem entra e quem sai, com vista para a rua e onde se possa estar sossegado. Os mais desafortunados são mandados para outras fossas, como as sépticas por exemplo, ou mesmo colados em cadeiras ou postos na borda de pratos, onde é absolutamente impossível manter uma família.

– O que é que vêm aqui solicitar então?

– Em primeiro lugar o recenseamento universal obrigatório dos moncos, para que se possa identificar com maior acuidade o desaparecimento de algum. Em segundo lugar, a criminalização da erradicação ou realojamento involuntário de moncos. Temos que parar de uma vez por todas com este verdadeiro Moncocausto. Em terceiro, que nos deixem de chamar macacos, porque estamos fartos que nos venham buscar para levantar carros sempre que fura um pneu.

– Como seria o Mundo ideal para si?

– Um planeta que me permitisse estar tranquilo com a minha mulher e os meus filhos num sítio confortável e sem medo de ser removido abruptamente e contra a minha vontade. E escusa de ser num Júlio Isidro, que sou gente modesta, o importante é poder dar aos meus filhos um lugar seguro para viver.

– Obrigado e boa sorte para a vossa luta sr. Burrié.

– Obrigado pela oportunidade e bom dia para si.

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Pornugal

Janeiro 17th, 2013

Meus amigos, numa época em que andamos à procura de novos caminhos para o crescimento económico, andamos por vezes distraídos do essencial, que é onde está a solução.

Em que é que nós somos verdadeiramente bons?

Em que é que somos diferentes de outros povos?

A que é que nos entregamos devotamente, com resultados de excelência?

O que é que dá verdadeiramente dinheiro neste mundo?

A resposta vem, uma vez mais, do reconhecimento externo das nossas capacidades.

Uma atriz portuguesa ganhou esta semana o prémio de melhor artista internacional  de 2012 nos prémios XBIZ, conceituado site da indústria pornográfica.

Enquanto uns abrem a boca de espanto, outras e outros a abrirão já com uma perspectiva visionária de futuro.

Caros leitores convençam-se de uma vez por todas da seguinte realidade: nós somos bons é a deixar que nos f0&@m!

Temos é que ser filmados enquanto isso acontece para ganhar dinheiro a rodos.

Numa indústria feroz como esta, temos finalmente o reconhecimento merecido nesta compatriota, que nos abre um novo caminho, uma nova oportunidade que devemos agarrar com ambas as mãos.

Temos que agir, intervir, modificar coisas para nos afirmarmos definitivamente como a Meca da pornografia mundial.

O primeiro passo será formar as pessoas para que se inseriram no setor de forma capaz: criar cursos profissionais especializantes na pornografia, escolas de atores porno, saraus de literatura pornográfica, workshops de realização e edição de filmes porno, certames de bandas sonoras chungas.

Devemos encetar ações de sensibilização junto do nosso tecido produtivo para que os produtores de pornografia consigam as coisas a preços competitivos.

Cabeleireiras, dentistas, urologistas, fabricantes de látex, colchões e meias brancas com raquetes, todos se devem unir neste esforço nacional.

A RTP não deve ser privatizada, mas sim transformada numa espécie de Bolywood pornográfica – a Fodywood, com início à portuguesa para que ninguém se esqueça onde é – onde se rodem as maiores obras primas da pornografia mundial, tornando-a numa referência incontornável desta indústria altamente rentável.

Esqueçam o sol e a temperatura amena, vamos divulgar o nosso clima de maneira diferente.

Chamemos-lhe climax e façamos gala da humidade das nossas grutas, do frio do c@%@lho que se sente nas terras altas e de se poder apanhar nubueiro junto à praia pela manhã.

Mudemos as vogais ao fado e coreografemos de modo a fazer juz aos seus nomes o vira, a chula, o malhão e o corridinho.

Reinventemos as nossas figuras históricas para apoiar o turismo de temática pornográfica: Camões tinha outro olho cego que só alguns escarafuncharam, o que Martim Moniz atravessou na porta foi o seu portentoso pénis, a Rainha Santa Isabel distribuía preservativos aos desfavorecidos e não pão, e por aí fora.

Mudemos o nome do nosso país e chamemos-lhe Pornugal!

Afirmemos esta marca no panorama global e descubramos novos mundos, de prosperidade e prazer.

Vá lá, sem medos e sem tabus, com a confiança em alta nestes nossos novos Descobrimentos, imaginem-se já num estádio a ver os jogadores da seleção a jogar de anal plug e gritem todos comigo: PORNUGAL! PORNUGAL! PORNUGAL!

Pornugal

Futebol amaricado

Janeiro 9th, 2013

O futebol é jogado de várias formas um pouco por todo o mundo e é isso que faz dele o desporto mais popular do planeta, esta adaptabilidade às várias circunstâncias, preferências e necessidades.

Futebol de 5, de 7 ou de 11, feminino ou masculino, europeu ou americano, em relva, sintético ou pelado, na rua, no pavilhão ou na praia.

Dada a crescente influência do movimento gay em tudo o que se mexe na sociedade moderna, a FIFA está já a preparar uma nova variante do futebol direcionada para este “nicho de mercado”.

O futebol amaricado – assim será chamado em português – terá como principais fatores diferenciadores uma mudança visual radical e regras adaptadas.

O terreno de jogo será a primeira modificação, decorrendo os jogos num recinto de cor marfim, em alcatifa não abrasiva e brilhante.

À volta do campo, tabelas decoradas com papel de parede, ao gosto da equipa da casa, sendo os cantos ornados com bonitos arranjos florais e as balizas revestidas a veludo.

Os equipamentos serão em lycra justa à pele, de cores garridas, e no pés serão utilizadas somente sapatilhas de sola lisa, para não correr riscos de mazelas.

Todos os equipamentos deverão ser aprovados pelo Conselho de Estilo e ser assinados por um estilista de referência.

Os árbitros usarão apitos suaves, ao estilo flauta de pã, para as suas intervenções, e mostrarão lenços de seda mostarda e grená, em vez dos tradicionais cartões amarelos e vermelhos.

O jogo será dividido em 4 partes de 5 minutos cada, intervalado por três pequenas peças de teatro musical coreografadas com a duração de 15 minutos cada.

Importante também, por ser o objeto do jogo, a bola, que deverá ser de material insuflável, saltitona e com as cores do arco-irís, estando proibido o seu pontapeamento com muita força.

Fixem por isso, se pretenderem um dia ser atletas deste campeonato, a primeira e última regra escrita na sua forma original: não vale pastilhos!summer_beach_ball_pastel

Obissuário

Janeiro 4th, 2013

Existe um tipo de pessoas no mundo do trabalho que me irrita a um ponto em que as visualizo permanentemente com um marcador laser na testa.

Vocês já se encontraram seguramente com este género de pessoas, e se forem bons profissionais não andarão longe deste sentimento.

São aqueles indivíduos que estão sempre a colocar dificuldades a tudo o que é sugerido fazer.

“Isso não vai funcionar”, “não achas isso muito arriscado?”, “sim, mas se fizeres isso vais mexer com aquilo e está tudo tramado” e por aí fora, num relambório contínuo de óbices levantados, a cada frase que dizem.

São estas figuras que passam ao lado de termos como criatividade, inovação, proatividade, empreendedorismo, flexibilidade ou dinamismo, que me arrepiam os pêlos a um ponto que seria capaz de lavrar com eles.

Acho que estas pessoas deviam ser liminarmente excluídas do mundo profissional, para que deixem trabalhar quem quer e se deixem de fosquinhas e reviengas para que tudo fique na mesma.

A bem da produtividade, devia ser lançado um portal público onde fosse declarada a morte profissional deste tipo de fulano, denunciando este tipo de pessoas.

Este sítio onde são expostas as pessoas que estão constantemente a apontar óbices ao progresso do trabalho seria chamado de Obissuário e os seus anúncios teriam um aspeto semelhante ao da figura aqui apresentada.

Dotaríamos assim o mundo do trabalho de uma ferramenta extremamente útil para excluir das empresas estes fulanos que enregelam a nossa massa produtiva.

Parece-vos bem?Obissuário