Festas de Verão

Julho 30th, 2012

Portugal sempre foi um país festeiro.

É conhecida a nossa tendência para romarias e tudo o que seja um bom pretexto para lançar uns foguetes, promover bailarico de mulheres com mulheres e beber uns canecos.

Nos últimos anos temos asssitido a várias tendências de festa de Verão, desde os festivais de música – cujo padrão de nome é: Festival [inserir localidade ou região – opcional] [inserir marca de cerveja ou telecomunicações] – aos festivais gastronómicos, onde cada terreola promove o que lá se come, nem que sejam só pevides ou tremoços.

O último filão a ser descoberto foi o das festas de época.

Tudo começou com as festas medievais, que eram um conceito engraçado, que permitia uma animação diferente e a participação de artistas de rua, restaurantes e artesãos.

Esse conceito começou a ser aplicado de igual forma em tudo o que era bairro com mais de três visitantes, nos meses de Verão, tornando este tipo de festas repetitivas e banais.

É então que se parte para outro caminho: descer lentamente na cronologia.

A diferenciação é feita pela época histórica, deixando cair a medieval e seguindo para outras épocas como a do império romano ou o anterior período de cultura castreja.

E é aqui, que, estimados leitores, temos que parar para observar e pensar.

Se as épocas são diferentes, não fará sentido que o que se encontra nestas festas temáticas seja também diferente?

Ou alguém está mesmo convencido de que a bijuteria, os brinquedos de madeira e as velas aromáticas são transversais a todos os períodos da história?

Os povos antigos comiam todos porco no espeto, bebiam chazinhos de variadíssimas plantas e alambuzavam-se com doces conventuais?

Todos?!?

Da forma como isto está a ser feito haveremos de denominar este tipo de festas como festas triássico-medievais, e provavelmente chegar à conclusão que os dinossauros também eram consumidores assíduos de ginginha e falavam castelhano!

Existe a bota.

E a perdigota.

E não têm nada a ver uma com a outra.

É como os alhos e os bugalhos.

Uma coisa é uma coisa, e outra coisa… é outra coisa.

Fiz-me entender?

Vamos lá ler uns livrinhos de época para fazer as coisas um nadinha mais coerentes, pode ser?