A Igreja e a crise

Junho 5th, 2012

Bom dia senhores ouvintes.

Li há pouco que a Igreja anda preocupada com o acentuado decréscimo de esmolas que os seus fiéis gentilmente depositam nos seus cofres.

As estatísticas são, efetivamente, preocupantes e por isso não posso deixar de dar o meu contributo para que a Igreja se reinvente, na indispensável captação de divisas.

Na minha perspetiva, o que a Igreja precisa fazer é estudar o que de bom se faz no marketing das várias áreas de negócio e adaptar essas formas de atuar à sua realidade.

Existem santuários com uma capacidade de atração invulgar no nosso País, como sejam Fátima, Sameiro, Bom Jesus ou Lamego.

Pois bem, porque não aproveitar essa exposição pública para fazer receita, licenciando o naming dos santuários.

Não me parece que as grandes empresas nacionais deixassem escapar a possibilidade de ver o seu nome associado a uma concentração de mais de 300.000 pessoas, um número muito mais expressivo do que qualquer festival de verão.

Santuário “Azeite Gallo” de Fátima é um bom exemplo para ilustrar esta estratégia.

Verifique-se a força de marketing e o valor de mercado que uma estratégia destas poderia gerar para a Igreja, que transforma a receita das esmolas em meras pinguinhas avulsas de água benta.

Se até o Barcelona já cedeu à tentação de deixar que as suas camisolas ostentassem nomes de patrocinadores, a Igreja também deveria estudar essa hipótese.

Será difícil imaginar o poder de comunicação que representaria conseguir inscrever nas costas de uma batina de um padre a palavra “Sogrape”, na altura da consagração do vinho.

A estratégia pingodocesca também pode trazer muito valor à Igreja, fazendo-se campanhas em que quem contribuir com 50 cêntimos ou mais durante o ofertório tem direito ao dobro das hóstias do que os crentes menos contributivos.

Pode-se ainda acumular esta promoção com um cartão de fidelidade, em que à 10ª contribuição acima dos 14 cêntimos de ganha uma hóstia extra.

Por último, mas não menos rentável, a criação de uma coleção de action figures de padres ou religiosas com maior visibilidade como o Papa, a irmã Lúcia, o Padre Borga, a Madre Teresa de Calcutá, o Padre Marcelo Rossi ou o Padre Frederico – o vilão – podia ser uma excelente estratégia de incremento de receitas.

Se os problemas forem só económico-financeiros, como podem ver, não faltam ideias para os resolver.

Quanto à crise de valores… é melhor perguntarem aos senhores da Bolsa.

 


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