O Patrimonense F.C.

Maio 14th, 2012

Existem clubes de futebol com nomes muito engraçados.

Normalmente o nome deriva da localidade de onde são oriundos, como são os casos do Milheiroense, o Sambrasense ou o Carregoguense.

Outros há cujo nome deve ter outras origens, como será o caso do Patrimonense F.C., clube de Braga, já que não existe nenhuma freguesia com esse nome na cidade.

O nome do clube advirá então daquilo que pertencerá ao seu código genético, aos seus valores: a defesa do património.

Um clube com este nome deve ter como seu principal propósito, além de jogar futebol, a proteção ativa do património, e acredito mesmo que sejam uma espécie de grupo ativista da defesa do mesmo.

A julgar pelo nome, o cenário que imagino desde logo é que o Patrimonense F.C. jogará num estádio ao melhor estilo de um coliseu romano, sendo que o público sabe dos jogos através dos arautos do clube, que percorrem a cidade nas suas quadrigas, lendo em voz alta os papiros onde está escrito o calendário dos diversos torneios.

As equipas alinham duas horas antes, junto do túnel de saída dos leões, para a pintura de grupo – feita por um pintor local de inspiração renascentista – que servirá de memória futura e onde estão patentes os belos trajes regionais que os jogadores utilizam.

A bola de jogo será uma bexiga de porco insuflada, sendo que os jogadores ainda usam sandálias para a chutar.

Nas bancadas são servidas sandes de courato e entranhas de javali, e os aguadeiros distribuem o refrescante líquido com as suas bilhas ao ombro.

Interessante também será o marcador, uma imensa placa granítica – envolta por uma caixilharia barroca de talha dourada – onde se vai esculpindo o evoluir do resultado.

Só é admitida linguagem arcaica e a correcção de todos os intervenientes é incentivada, sendo as injúrias do público para com o árbitro punidas com chicotadas no pelourinho situado junto da bancada dos jornalistas, da mesma forma que os árbitros são punidos com a extração de uma mão, no caso de se comprovar o ato de roubo por parte dos mesmos.

De referir também o papel da claque do Patrimonense F. C., que só recorre a cantigas de amigo e chocalhos de vaca para incentivar a equipa, o que denota uma postura apaziguadora do desporto por parte destes adeptos defensores do património.

Um belo exemplo, pois, de conjugação entre o desporto e a conservação patrimonial, não credes?

 

 


2 Responses to “O Patrimonense F.C.”

  1. Joana Ferreira on Outubro 16, 2012 15:17

    Tal como disse o nome “Patrimonense” não é uma decorrência do nome da freguesia onde se encontra, S. José de S. Lázaro, onde, aliás até existe outro clube de nome “Arsenal”.
    Na verdade, o nome atribuído deve-se ao facto do mesmo ter nascido no seio de um bairro, denominado “Bairro Património dos Pobres”, composto de casas, de património portanto, que foram doadas por um benfeitor local aos mais desfavorecidos.
    Assim, o nome “Patrimonense” é uma homenagem ao aludido património doado.
    E já que estamos a prestar esclarecimentos sempre se dirá que o “ O Patrimonense”, composto de rostos que tão abnegadamente a si se dedicam, não joga num estádio ao melhor estilo de um coliseu romano, mas sim num campo municipal denominado “Campo das Camélias” e, como em qualquer clube da sua categoria, o calendário dos jogos é atempadamente afixado na sede do clube, sita no Lugar do Pinheiro da Gregória, para conhecimento dos seus associados e simpatizantes entre os quais se encontram figuras tão emblemáticas como o Sr. Luís, presidente do Clube e actualmente o grande impulsionador da manutenção em actividade desta colectividade, a Carla, o “Surras”, a Maria, o “Tótó”, o Chicão e tantos outros com cujos nomes se foi escrevendo a história de “ O Patrimonense” ao longo de 50 anos de existência, tal como o saudoso Joaquim Ferreira, e que os meus 30 não permitem que me recorde de cada um deles tal como mereciam… sim, porque no próximo dia 13 de Maio de 2013 o nosso clube celebrará 50 anos de vida e nessa altura, certamente, todos eles serão devidamente lembrados e a sua importância reconhecida.
    A nossa equipa alinha de verde, branco e vermelho e a bola do jogo, bem como as chuteiras, têm a assinatura do “Titãs”, empresa local que se dedica ao comércio de artigos de desporto!
    Já o retrato para memória futura é feito pela Filipa que, no meio dos seus tantos afazeres, lá foi captar os melhores momentos dos “nossos” meninos com o equipamento novo!
    Em dia de jogo em casa, nas bancadas não são “servidas sandes de courato e entranhas de javali”, mas todos os presentes são brindados com as já famosas rifas para o, igualmente famoso, sorteio organizado pelo clube seja o prémio um presunto ou a já “desgastada” bola do jogo, sorteio para o qual todos contribuem não obstante a crise que teima em apoderar-se das nossas carteiras… afinal de contas estamos a ajudar o “ O Patrimonense”!
    Normalmente o evoluir do resultado vai sendo passado de boca em boca pelos que estão desde o início, aos que vão chegando já que painéis electrónicos é coisa que por aqui escasseia.
    Quanto à linguagem utilizada pelo público que assiste aos jogos nas bancadas é a tão vulgarizada linguagem a que todos temos acesso em um qualquer campo de futebol pois ao carácter apaziguador de certos adeptos sobrepõem-se os ímpetos mais primários de outros e, por isso, em caso de roubo por parte dos árbitros estes não são punidos com a extracção de uma mão, mas vontade não deve faltar a alguns fulgurosos apoiantes que conheço….

  2. Pedro Vieira on Outubro 20, 2012 12:25

    Joana, obrigado pelo comentário tão esclarecedor.
    o objetivo deste texto é meramente humorístico, sendo o seu propósito somente criar um cenário fantasioso à volta de um nome, em forma de caricatura.
    Trata-se, obviamente, de ficção, e espero que compreenda isso dessa forma e não como qualquer tipo de comentário jocoso ou tentativa de denegrir a imagem do Patrimonense.
    Parabéns pelos 50 anos da instituição e por essa longevidade que é cada vez mais incomum no movimento associativo.
    Com os melhores cumprimentos,
    Ninho de Pássaro

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