Partidarite

Abril 16th, 2012

A partidarite é uma doença que se manifesta, entre outras coisas, por visão de túnel, falta de vontade própria, seguidismo, estado de negação, acefalite e mudanças súbitas de opinião.

É uma doença muito semelhante à clubite, mas mais grave, porque esta é detetada em ambientes frequentados por pessoas que buscam espetáculo, emoção e evasão, e onde os efeitos decorrentes dos atos dos contaminados não tem, geralmente, consequências irremediáveis para a vida dos cidadãos.

A partidarite atinge indivíduos supostamente detentores de generosas doses de rigor, razoabilidade e responsabilidade, podendo os seus atos definir o futuro de várias gerações, o que faz com que seja uma doença que deve ser tratada com o máximo cuidado, sendo decretada quarentena obrigatória para os contaminados, mantendo-os por um longo período em isolamento.

É uma doença que infelizmente ainda não tem reconhecimento médico, não lhe sendo conhecido qualquer tipo de tratamento, mas que é reconhecida pelo sistema judicial, que a põe ao nível das doenças de foro psicológico, garantindo  inimputabilidade para os contaminados.

Para se perceber exatamente do que estamos a falar vamos dar um caso prático.

O deputado Pedro Nuno Santos afirmou recentemente que aprovar o Tratado Orçamental da União Europeia é vender a nossa alma.

No dia a seguir foi decretada disciplina de voto na sua bancada parlamentar e o fiel deputado manteve o que disse, mas afirmou que votaria então de acordo com a vontade do partido, mesmo estando visceralmente contra.

Foi-se a vontade própria e segue-se com deferência as instruções partidárias, ainda que o preço deste voto seja o da sua alma.

Provavelmente até não custou muito, mas este caso manifesto de partidarite, obriga -nos uma reflexão.

Se não queremos fazer nada para combater a partidarite, não será melhor, ao menos, reduzir o número de cadeiras do parlamento para seis?

Um representante por cada partido eleito já chega, porque na prática os deputados apenas têm direito a exprimir a vontade do seu partido e não a sua.

O país era capaz de suportar viver com menos 224 lugares ocupados por gente que se limita a copiar o voto do lado, não?

Mas se queremos fazer algo verdadeiramente bom para a saúde pública devíamos fechar estes indivíduos em quarentena prolongada e instituir uma nova assembleia, verdadeiramente representativa, onde as pessoas respondam por si, debatam de acordo com as suas convicções e se responsabilizem pelos seus atos.


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