Acidentes estúpidos

Abril 9th, 2012

O denominador comum de um relato sobre qualquer tipo de acidente é o facto de este ser sempre descrito como sendo estúpido.

É tão comum esta adjetivação que conseguimos identificar a maior ou menor gravidade de um acidente pelo grau de estupidez alcançado pelo mesmo.

Um acidente menor, como um tropeção numas escadas, será descrito como um acidente estúpido, enquanto uma queda de uma ravina será descrito como uma estupidez de todo o tamanho.

O que fazer para modificar esta situação?

Os mais precipitados dirão que, se todos os acidentes são estúpidos, há que torná-los instruídos, criando portanto escolas especiais para acidentes, onde estes se possam sentar – atabalhoadamente, de certeza – nos bancos e aprender a ser menos estúpidos.

Mas o caminho não é por aí.

Temos que ir ao cerne da questão, que é a base de toda a estupidez dos acidentes, os criadores de tudo o que é estúpido à face da Terra, as pessoas.

É possível diminuir o índice de acidentes de todo o género fazendo uma campanha de desestupidificação coletiva.

Para quê gastar milhões em campanhas de segurança rodoviária com foco na diminuição da velocidade, se nos basta aumentar ligeiramente a inteligência da generalidade dos condutores?

Há que abandonar todo o avultado investimento em imposição de apertadas normas de segurança e higiene no trabalho e trazer para as empresas programas que permitam o exercitar dos marcadores somáticos dos trabalhadores.

É um trabalho que se prevê difícil, para um país com tanta gente com propensão ao acidente, mas pode ser que no final se passe a ouvir nos cafés as pessoas comentarem que um colega de trabalho morreu num acidente verdadeiramente astuto e perspicaz.

 

 


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