241.833.600 segundos…

Abril 30th, 2012

… , 4.030.560 minutos, 67.176 horas, 2.799 dias, 399 semanas.

Isto tudo é o mesmo que dizer 7 anos e 8 meses, exatamente, que este vosso amigo dedicou a um projeto profissional, afincadamente e com paixão.

São todos contáveis porque esta é a forma que eu tenho de encarar a profissão, com atenção permanente, com envolvimento e dedicação constante, que não esmorece nem sai do pensamento apesar das folgas, baixas ou férias.

É isso que me faz levantar da cama com um sorriso, é isso que dá sentido e completa a minha vida: produzir e produzir bem.

Hoje é o último dia de um percurso bonito, enriquecedor, pleno de alegrias, conquistas e muita aprendizagem.

Não é um dia de tristeza, mas sim um dia de regozijo e orgulho, pelo que se conseguiu fazer, pelos resultados obtidos, pelas amizades criadas.

É também um dia de alegria porque significa o começo de um novo ciclo, de novos desafios, com mais responsabilidade mas com redobrada força, para dar seguimento profissional a tudo o que este tempo significou para mim.

Fica aqui assinalado esse dia, porque é importante na minha vida e porque é fundamental para mim que fique também registado o meu sincero agradecimento a todos os que contribuiram para este caminho percorrido.

A quem acreditou no meu potencial e me apoiou em todos os momentos, a todos os colegas que entretanto se tornaram também amigos e principalmente à minha família, que me deu, e continua a dar, as bases fundamentais para poder olhar com orgulho para o percurso passado e com segurança para o futuro.

Muitíssimo obrigado a todos!

O novo caminho já está assinalado e é relevante que seja o dia do trabalhador a assinalar essa mudança, porque vai ser preciso trabalho – muito – para atingir os objetivos a que me propus.

A confiança é grande, a expectativa é muita e a vontade de pôr mãos à obra é imensa.

Vamos lá a isso!

Se for bebé, não conduza!

Abril 23rd, 2012

Há poucos dias li uma notícia sobre a criação de um programa de empréstimo de cadeirinhas de bebé para transporte em veículos, vulgo “ovinhos”.

Esta iniciativa da Direcção-Geral de Saúde é bem intencionada e de aplaudir, principalmente num contexto de crise económica.

Pretende-se com ela evitar a morte de bebés, vítimas de acidentes automóveis, e isso é sempre de louvar.

Segundo uma das pessoas envolvidas na promoção desta iniciativa, “todos os dias, 14 crianças são vítimas de acidentes, sendo que 8 são passageiros”.

Talvez fosse bom analisarmos estas palavras, porque se calhar ainda vamos a tempo de mudar o mote da campanha.

Segundo percebo, das 14 crianças acidentadas só 8 são passageiros, o que quer dizer que os outros 6 serão… condutores!?

Então talvez o problema não esteja somente nas cadeiras meus caros!

Se calhar é melhor começar a pensar em sensibilizar as pessoas para não pôr os bebés a conduzir, não?

Se não for pelo argumento de que são descoordenados e inconscientes, pelo menos tenham atenção que nos primeiros tempos eles não só não chegam aos pedais como nem as cores dos semáforos têm capacidade para reconhecer.

A iniciativa das cadeirinhas de transporte  é válida, sim senhor, mas está visto que é preciso mais, sendo a minha sugestão no sentido de acrescentar um pequeno autocolante na cadeirinha entregue, com a seguinte frase: “Se for bebé, não conduza!”

 

Partidarite

Abril 16th, 2012

A partidarite é uma doença que se manifesta, entre outras coisas, por visão de túnel, falta de vontade própria, seguidismo, estado de negação, acefalite e mudanças súbitas de opinião.

É uma doença muito semelhante à clubite, mas mais grave, porque esta é detetada em ambientes frequentados por pessoas que buscam espetáculo, emoção e evasão, e onde os efeitos decorrentes dos atos dos contaminados não tem, geralmente, consequências irremediáveis para a vida dos cidadãos.

A partidarite atinge indivíduos supostamente detentores de generosas doses de rigor, razoabilidade e responsabilidade, podendo os seus atos definir o futuro de várias gerações, o que faz com que seja uma doença que deve ser tratada com o máximo cuidado, sendo decretada quarentena obrigatória para os contaminados, mantendo-os por um longo período em isolamento.

É uma doença que infelizmente ainda não tem reconhecimento médico, não lhe sendo conhecido qualquer tipo de tratamento, mas que é reconhecida pelo sistema judicial, que a põe ao nível das doenças de foro psicológico, garantindo  inimputabilidade para os contaminados.

Para se perceber exatamente do que estamos a falar vamos dar um caso prático.

O deputado Pedro Nuno Santos afirmou recentemente que aprovar o Tratado Orçamental da União Europeia é vender a nossa alma.

No dia a seguir foi decretada disciplina de voto na sua bancada parlamentar e o fiel deputado manteve o que disse, mas afirmou que votaria então de acordo com a vontade do partido, mesmo estando visceralmente contra.

Foi-se a vontade própria e segue-se com deferência as instruções partidárias, ainda que o preço deste voto seja o da sua alma.

Provavelmente até não custou muito, mas este caso manifesto de partidarite, obriga -nos uma reflexão.

Se não queremos fazer nada para combater a partidarite, não será melhor, ao menos, reduzir o número de cadeiras do parlamento para seis?

Um representante por cada partido eleito já chega, porque na prática os deputados apenas têm direito a exprimir a vontade do seu partido e não a sua.

O país era capaz de suportar viver com menos 224 lugares ocupados por gente que se limita a copiar o voto do lado, não?

Mas se queremos fazer algo verdadeiramente bom para a saúde pública devíamos fechar estes indivíduos em quarentena prolongada e instituir uma nova assembleia, verdadeiramente representativa, onde as pessoas respondam por si, debatam de acordo com as suas convicções e se responsabilizem pelos seus atos.

Acidentes estúpidos

Abril 9th, 2012

O denominador comum de um relato sobre qualquer tipo de acidente é o facto de este ser sempre descrito como sendo estúpido.

É tão comum esta adjetivação que conseguimos identificar a maior ou menor gravidade de um acidente pelo grau de estupidez alcançado pelo mesmo.

Um acidente menor, como um tropeção numas escadas, será descrito como um acidente estúpido, enquanto uma queda de uma ravina será descrito como uma estupidez de todo o tamanho.

O que fazer para modificar esta situação?

Os mais precipitados dirão que, se todos os acidentes são estúpidos, há que torná-los instruídos, criando portanto escolas especiais para acidentes, onde estes se possam sentar – atabalhoadamente, de certeza – nos bancos e aprender a ser menos estúpidos.

Mas o caminho não é por aí.

Temos que ir ao cerne da questão, que é a base de toda a estupidez dos acidentes, os criadores de tudo o que é estúpido à face da Terra, as pessoas.

É possível diminuir o índice de acidentes de todo o género fazendo uma campanha de desestupidificação coletiva.

Para quê gastar milhões em campanhas de segurança rodoviária com foco na diminuição da velocidade, se nos basta aumentar ligeiramente a inteligência da generalidade dos condutores?

Há que abandonar todo o avultado investimento em imposição de apertadas normas de segurança e higiene no trabalho e trazer para as empresas programas que permitam o exercitar dos marcadores somáticos dos trabalhadores.

É um trabalho que se prevê difícil, para um país com tanta gente com propensão ao acidente, mas pode ser que no final se passe a ouvir nos cafés as pessoas comentarem que um colega de trabalho morreu num acidente verdadeiramente astuto e perspicaz.

 

 

Vernáculo Nortenho a Património Imaterial da Humanidade

Abril 2nd, 2012

O Fado foi, no final do último ano, reconhecido como sendo Património Imaterial da Humanidade.

Todos os portugueses se devem sentir orgulhos por este reconhecimento e é importante que saibamos capitalizá-lo de forma eficaz, mas ao mesmo tempo sustentável.

É importante também que nos apercebamos da real importância de vermos reconhecido internacionalmente aquilo que é tão genuinamente nosso.

Os alentejanos já se aperceberam disso e não foram de preguiças, preparando já a candidatura do seu Cante.

É altura de, mais a norte, surgir também uma candidatura forte a Património Imaterial da Humanidade.

Pela sua pureza, enraizamento e marca identificativa de um povo, devemos começar a preparar com afinco a candidatura do Vernáculo Nortenho!

Divulguemos este linguajar ao mundo, orgulhosos do nosso património, da forma que estas gentes têm para se exprimir, que as torna tão singulares.

Das vendedeiras do Bolhão às sargaceiras da Apúlia, passando pelos pescadores de Viana do Castelo ou dos pastores em Trás-os-Montes, mudando aqui e ali o sotaque e o cantar, existem elementos transversais à forma como se fala “cá em cima”, com um espontaneidade que não se encontra em mais lado nenhum.

Temos que divulgar e dignificar esta forma de falar, editar diálogos em disco, transcrever frases ditas entre buzinas de carros, gravar discussões e emiti-las on-line, levar os turistas aos sítios onde se fala assim e explicar o real conteúdo do que ali se diz.

Imaginem um autocarro de turistas a parar no Bolhão, propositadamente para assistir a diálogos  – devidamente legendados em tempo real -, deste género:

– Oube lá! Essas sardinhas num soum minhas?

– Fuoood@$$e! Tás a falar cum queim car@!#o? Aichas c’ando aqui a roubar sardinhas ó o car@!#o?

– Se calhar sou ceguinha noum? Num te vi ali a falar co pan€!€iro do teu home e a bires aqui pegar na saquinha, noum?

– Bai-te incher de muoscas, oube lá. Tá maluquinha ó o car@!#o! Fu%&asse! P*+a que pareu! Passa-te ó car@!#o auntes que te fu%&a o focinho.

– Tenho medo de ti não, ó badalhoca? Dá cá essa m€§da antes que lebes quatro p*+as!

– Tu e mais quantas? Bai fazer br%ches a cabalos, bai-te ganda f%&er! Inda num tinhas pintelhos na c%na e já eu lebeba baldes à cabeça, tás a oubir ó morc%na do car@!#o?

– Era baldes na cabeça e p|$$as na buoca noum sua p*+a de m€§da? Dá cá o filho da p*+a do saco, já disse ,car@!#o!

– Porque que é que o car@!#o do saco habia de ser teu, diz lá?

– É meu porque tem um cordel azul nas badanas, num teim?

– Tem um cordel tem! E esta m€§da é azul por acaso, ó p%rca do car@!#o? Esta m€§da é ruoxo, fu%&asse!

– Eia, fu%&asse! Desculpa! Num foi por mal, mas é um saco igual ao meu car@!#o, e ao longe essa m€§da parecia um cordel azul. Num biste aí o meu saco noum?

– Quero que se fu%&a lá o teu saco, ó o car@!#o. Sai lá daí que beim aí fregueses, baita f%&er.

– Badalhoca.

– A tua mãe.

É este património linguístico que a humanidade não pode dar-se ao luxo de perder.

Com tantos sinais que, por pudor, ainda nos vemos obrigados a utilizar nas transcrições, está-se a perder a genuinidade e fluidez, está-se a perder a riqueza.

Por isso é que não podemos ficar parados e devemos agir para preservar e dignificar o vernáculo nortenho, lutando para o seu reconhecimento e valorização ao nível mundial, car@!#o!