O estranho mundo do cancioneiro infantil

Março 26th, 2012

A minha recente condição de pai leva-me a voltar ao convívio do cancioneiro infantil.

Acho que tenho que ser um pai que percebe o mundo do seu filho, e por isso, desde já, carrego no meu alforge de mp3 as músicas infantis que cantarei em dueto com o meu petiz, para que me vá familiarizando novamente com o que se vai fazendo por aí.

Numa recente audição de uma completa colectânea de músicas infantis, a primeira constatação é a de que muita música infantil continua na mesma, apesar das rugas, mas ainda assim há espaço para surpresas.

Surpresas que amedrontam, pelo tipo de letras que se podem encontrar em músicas dirigidas a crianças.

Analisem comigo estes três belos termas musicais.

A primeira música que merece a minha atenção traz a criança para o negro e angustiante mundo real em que um sapo casadoiro, com a sua sapinha tranquilamente a fazer o enxoval para o casamento, é brutalmente comido por um jacaré, só porque passou em cima da ponte.

E fim da história.

Sapo

É uma mensagem curta que se faz passar às crianças, porém eficaz: não te iludas com uma bela história de amor, porque quando menos esperas aparece um jacaré e come-te.

Ah! E se cantares, é porque tens frio… agasalha-te lá!

Cantarolamos estas músicas e nem nos passa pela cabeça indagar sobre quem será o autor das letras.

Vejam lá se adivinham quem escreveu o conteúdo da seguinte música.

O ratinho foi ao baile

Estes versos não enganam ninguém.

Só o grande poeta popular Quim Barreiros conseguiria de forma tão subtil levar o tema até à frase “a ratinha estava noiva, não queria complicação”.

Não pode ser outro o letrista.

A arte do trocadilho brejeiro nunca extiguirá porque é plantada no imaginário de todos através deste lindo poema infantil.

Deixo para o fim a bela música dedicada à Pipi das Meias Altas.

Pipi das Meias Altas

Pi-pilota para os meninos?

Percebem onde eu quero chegar?

E ainda há outro tema nesta colectânea que se chama “Mulheres do monte” e outro ainda intitulado “Doidas andam as galinhas”.

A seguir o que virá?

Pedro Abrunhosa?

Talvez…

Regresso à escrita

Março 19th, 2012

Meus amigos, pelas minhas contas já lá vão 74 dias desde a última vez que aqui escrevi!

Ui.

É demasiado tempo e uma total falta de respeito por quem se habituou a ler regularmente este pedaço de cartão virtual escrito toscamente com carvão.

Não percebo o que é que ele encontra aqui, mas peço desculpa a esse indivíduo paquistanês.

O que é facto é que o arranque do ano foi muito atarefado, com o regresso ao trabalho depois de ter sido pai, o avolumar de exigência na pós-graduação, o finalizar de obras e a mudança de casa, com a necessária arrumação posterior.

O processo de mudança de casa merecia um post próprio, mas ainda não tenho tudo organizado de forma a ter tanto tempo livre para que o possa redigir.

No entanto, e apesar de ainda não estar tudo arrumado – na verdade só estão devidamente arrumados dois pares de trouses – hoje achei que devia reivindicar o meu direito à escrita.

Virei-me para o meu filho e disse-lhe “É dia do pai, vai lá dar uma volta com os teus amigos de peluche para eu poder voltar a escrever. E não babes muito o tapete de entrada ao mordê-lo!”, ao que ele me respondeu com um longo olhar e uma largada gasosa, cujo odor me trouxe de volta para a realidade.

A realidade é a de que os papéis de pai, trabalhador, estudante, trolha, electricista, picheleiro, jardineiro, lenhador, pintor, cozinheiro  e decorador de interiores, quando exercidos em simultâneo nos afastam de coisas que tanto amamos.

Os nosso hobbies, as nossas rotinas – já nem leio na casa de banho -, os nossos amigos e a nossa família acabam por não nos ter tão disponíveis.

Mas as coisas estão a estabilizar e é com alegria que vos digo que prevejo mais escrita nos próximos tempos.

Se acertar na previsão, a seguir vem o Totoloto.