Sandeman

Outubro 20th, 2011

É nas alturas de crise, como esta, que as pessoas sentem mais necessidade de ter fé em algo que os ajude.

Para uns a resposta está na religião, para outros nos super heróis.

Dirá o mais distraído dos leitores, que na religião ainda se percebe, porque há relatos de algumas aparições cá por perto, mas de super heróis, cá pelo burgo, não há registo.

Nada mais falso.

O que nós temos é um deficit de atenção para com os nossos valorosos super heróis.

Acho até que este é um ponto fundamental, que nos define civilizacionalmente.

Os americanos têm muitos super heróis, desde o Super-Homem ao Batman, passando pelo Capitão América e o Incrível Hulk (este último já com filial no Futebol Clube do Porto), e isso contribui de sobremaneira para se afirmarem como uma super potência mundial.

Nós, porém, andamos distraídos e nem reparamos que já desde 1790 temos um super herói que nos acompanha e socorre quando as coisas não vão tão bem, e por isso estamos na cauda da Europa e isto não anda a cheirar lá muito bem.

Falo, obviamente, de Sandeman.

Este herói misterioso, sombrio, de capa e chapéu, aparece altaneiro sobre as montanhas, sempre atento e pronto a socorrer o mais infortunado cidadão.

O seu nome tem origem na forma como se desembaraça dos problemas, enfiando-lhes uma sandes de courato – que carrega por baixo da sua capa –  pela goela abaixo, sufocando-os.

O antídoto para esta sandes é um líquido especial, uma poção de chamamento comummente conhecida por Vinho do Porto, que quem recorrer a Sandeman deve também ingerir, como sinal do seu pedido de ajuda e respeito.

Muitos são os portugueses que recorrem a Sandeman, nas tascas e cafés nacionais, sem terem exacta noção do que estão a fazer.

A discrição deste super herói leva a que muitos já não se lembrem dos seus reais poderes e da sua forma de actuação, tendo somente a certeza de que ingerindo Vinho do Porto os seus problemas são esquecidos.

Mesmo esquecido por muitos, Sandeman nunca abandonará quem dele precisa e até em supermercados se pode, hoje em dia, aceder à sua poção de chamamento.

Por isso caro leitor, não facilite e tenha sempre à mão uma garrafa deste precioso líquido, não vá um dia também precisar dele.

Lembre-se que Sandeman está atento, e a sua acção sempre à distância de um gole – ou vários.

Se internacionalmente o nosso herói é reconhecido – até músicas lhe dedicam, como esta das Puppini Sisters, que vos deixo abaixo – está bem na hora de nós próprios lhe darmos o devido valor e saudá-lo efusivamente.

Viva o Sandeman!

Viva!

 


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