Político profissional

Outubro 18th, 2011

Uma carreira política consistente não é fruto do acaso.

É algo construído, trabalhoso, e com muitas fases, que passam despercebidas à maioria da população.

Muitos dos futuros políticos estão já fadados a seguir a carreira, por características vertidas para o seu ADN pelos seus progenitores, mas mesmo esses, tal como os que não têm essa herança, começam a dar nas vistas nas escolinhas.

É aí que dão os primeiros pontapés, nas listas organizadas com amigos, que conseguem os primeiros resultados visíveis do seu talento político, entre canetas e bolas de plástico oferecidas.

O recrutamento é feito nessa altura pelos grandes clubes políticos, que aliciam os melhores ou mais promissores a integrarem as suas camadas jovens.

A partir daí são moldados de acordo com as tácticas utilizadas por cada clube, dando simultaneamente apoio, qual claque organizada, aos seus ídolos, os seniores.

Observando-os, aprendem e evoluem tecnicamente, subindo de escalão ano após ano, até serem finalmente inscritos nas listas da assembleia principal, onde se jogam os grandes clássicos e se revelam os mais capazes.

A maioria não passará do anonimato, jogando sempre para o seu capitão ou melhor goleador.

Essas vedetas para quem o jogo é canalizado contam-se pelos dedos.

Não está ao alcance de qualquer um, mas é esse o sonho de qualquer político profissional: liderar uma equipa e ganhar um campeonato nacional de votos.

O nosso campeonato é pequeno, quando comparado com outros no estrangeiro, por isso não é de admirar que muitos sejam tentados a enveredar por uma carreira europeia, onde podem ganhar muito mais.

O flagelo de quem faz carreira política são as lesões.

Lesões de credibilidade, fracturas de ministros ou escutas nas antenóides são das mais temidas.

São normalmente lesões curadas à base de abafadinhos ou fugas do território, na esperança de poder voltar rapidamente ao activo.

Após atingirem o auge, se conseguirem passar incólumes por todas estas provações, são relegados para a reforma – ou para várias reformas para ser mais exacto – ocupando discretamente, ou nem por isso, o último lugar que esta carreira tem reservada para eles, o de comentador da vida política activa, sempre mantendo a seriedade, honestidade intelectual e imparcialidade características destes profissionais.

É uma carreira difícil, só para quem tem estômago forte, bom golpe de rins e vergonha diminuta, e por isso só alguns brilhantes especimens conseguem ser bem sucedidos.


Trackback URI | Comments RSS

Leave a Reply

Name

Email

Site

Speak your mind