Palradores públicos

Outubro 10th, 2011

Há uma espécie de pessoas que faz ponto de honra em que toda a gente saiba, em tempo real, como corre a sua vida, quais são os seus sentimentos, as suas preocupações e os pormenores dos seus episódios quotidianos.

São uma espécie de arautos novelescos que não hesitam em vociferar as suas questões pessoais e observações em caixas de supermercados, mesas de café e cadeiras de cabeleireiro.

Falam para o ar, como se lançassem uma espécie de competição entre as palavras para ver qual delas chega a mais ouvidos.

São pessoas com um critério idêntico à dos organizadores das maratonas de São Silvestre, onde o que é importante é o número de atletas e não a qualidade dos mesmos.

Essas dissertações públicas podem apanhar alguns transeuntes desprevenidos, o que leva a que alguns sejam tentados a interagir com a palradeira ou o palradeiro de serviço, alimentando assim o seu forninho de palavras, em cujo interior arde tudo o que vagamente se assemelhe com discrição, pertinência ou bom senso e que debita para o exterior uma fumarada imensa de banalidades, queixumes ou graçolas irrisíveis.

Às tantas dou por mim, perante situações como esta, irritado e à procura de um açaime ou uma mordaça que me possa socorrer, ou mesmo de um otorrino que possa realizar uma extracção das cordas vocais de urgência, no fundo algo que me ajude a fazer-lhes uma alteração do seu estado, para proporcionar a sua necessária “mudificação”.

Não havendo nada disso à mão, resta-me este cantinho das irritações on-line, que tão bem me percebe, para desanuviar.


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