Ideia peregrina

Setembro 16th, 2011

Existe uma expressão idiomática que se costuma usar com ironia quando se pretende identificar uma ideia descabida.

Já ouviram falar, de certeza, em alguém que teve uma “ideia peregrina”.

Além da transtornante imagem mental de uma ideia a peregrinar, parece-me que esta expressão é um dos maiores contra-sensos da língua portuguesa.

Ora façam lá esta análise comigo.

Se a ideia é descabida, é legítimo dizer que não tem pernas para andar, certo?

Os peregrinos, tradicionalmente, caminham para o local de peregrinação, correcto?

Faltando as pernas à ideia, esta não pode caminhar, pelo que se dá uma espécie de curto-circuito linguístico que retira lógica à expressão, porque, não tendo possibilidade de fazer o seu caminho, a ideia não peregrinará.

Uma forma mais correcta de denominar este tipo de ideias seria, por exemplo, “ideias com necessidades especiais”.

Além de mais exacta linguísticamente esta expressão, as ideias poderiam ostentar um autocolante identificativo e assim conseguiriam até arranjar com mais facilidade lugar para estacionar, e ficarem lá, bem quietinhas no seu sítio.


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