Grau de homossexualidade

Setembro 14th, 2011

Segundo a Associação Portuguesa de Canonistas (APC) – cuidado, não confundir com camionistas -, a declaração de nulidade de um casamento em que um dos cônjugues é homossexual depende do “grau” em que este se encontra.

Ora cá está mais um conceito iluminado do órgãos eclesiásticos, que brilhantemente arranjam uma forma de arrumar a homossexualidade dentro de uma gradação organizada.

Não temais meus irmãos, pois podeis ser só medianamente panisguinhas ou ligeiramente mariquinhas!

Fala-se mesmo de “medicina de correcção” para alguns casos de “grau” mais baixo, numa tirada absolutamente retro-medieval de se lhe tirar o chapéu.

A dúvida está na forma como aferir esse “grau” de homossexualidade.

Sendo um caso médico – como é alegado -, seria de esperar que a APC tivesse acesso a um qualquer aparelho, tipo alcoolímetro, que indicasse cientificamente o teor de homossexualidade no sangue, mas não, o que se sugere é uma perícia psiquiátrica.

Só que isso acaba por ser muito vago e por isso vou deixar aqui algumas sugestões concretas.

Para começar deve-se responder a uma bateria de sessenta questões, divididas por seis temas diferentes: moda, futebol, automóveis, bricolage e construção, arranjos florais, estética e artigos de beleza.

As respostas a estas perguntas revelarão de imediato uma tendência inequívoca, mas insuficiente ainda para a determinação de “grau”.

De seguida os examinados deverão ir para a parte prática desta avaliação, sendo equipados com um capacete detector de estímulos cerebrais e postos perante diferentes cenários reais.

Serão provocados para entrar numa discussão, caminharão numa rua de lojas, visitarão uma sex-shop, assistirão a um jogo de futebol e a um desfile de moda, e ser-lhes-à dada a hipótese de decorarem uma sala, um quarto e de escolherem o seu guarda roupa e penteado para três situações distintas (para uma festa, para estarem confortáveis em casa e para trabalhar).

As suas reacções e resultado das suas acções serão monitorizadas e a partir daí serão obtidos dados científicos para a atribuição de “grau”.

A leitura destes resultados funcionará de forma distinta para homens e mulheres, já que os “sintomas” diferem de género para género.

No final, e de acordo com a escala já avançada pela APC, deverão passar a usar, na parte interior das suas vestes, um pequeno talão em que será indicado o seu “grau”, à imagem da escala de eficiência energética dos electrodomésticos actualmente em vigor.


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