ben-u-ron

Junho 9th, 2011

Poucas vezes premiado ou referenciado em galas que referenciam ou premeiam coisas e pessoas, o ben-u-ron é o melhor amigo do Homem na sua luta contra as mais variadas maleitas.

Dores de cabeça? Tome um ben-u-ron.

Indisposição? Um ben-u-ron ajuda.

Dói-lhe um dente? Já tomou um ben-u-ron?

Ressaca? Experimente tomar um ben-u-ron.

Febre? É porque ainda não tomou um ben-u-ron!É tão versátil e as pessoas usam-no para tantos fins que acredito ser hoje capaz de fazer aquilo que aparentemente seria impossível: mossa concorrencial a medicamentos tão diversos como o Quitoso ou o Gino-Canesten.

Há até relatos que, devido às suas características, é utilizado em festas do jet-set para afastar pessoas que misturam o piroso e o patético, daí vir escrito na caixa que é um antipirético.

Para uma utilização tão abrangente talvez contribua o facto do nome deste medicamento fazer lembrar Ben-Hur, uma personagem lutadora, que vence qualquer desafio contra o mais poderoso dos inimigos e em condições muito desvantajosas.

É como se o medicamento se montasse numa quadriga e avançasse destemido sobre os mais variados causadores de doenças, chicoteando impiedosamente todo o tipo de vírus, bactérias e pestes.

Outra das coisas que se diz para justificar a ingestão de ben-u-ron nas mais variadas circunstâncias é que, pelo menos, mal não faz.

Isso leva-me a suspeitar que então talvez as suas substâncias não sejam tão activas como isso, e que sendo tão inócuo o mais provável é que não passe de um placebo.

Mas o que interessa é que, pelos vistos, a estratégia de mercado funciona muito bem, toda a gente o usa para tudo e mais alguma coisa, e por isso os senhores que o fabricam e comercializam devem ser referenciados ou premiados por isso.

Bem hajam ben-u-roneiros!

Portugal não opina

Junho 7th, 2011

Uma grande parte dos meus concidadãos absteve-se de exercer o seu direito (e dever cívico, nunca é demais relembrar) de voto no último domingo, e isso é um fenómeno que me preocupa.

Há até quem se orgulhe de uma abstinência eleitoral prolongada, como se a sua opinião fosse tão importante que não merecesse ser partilhada com o resto do País.

São autênticos missionários do abstencionismo político, numa espécie de Cruzada, mas ao contrário, já que se recusam a fazer cruzes.

As pessoas queixam-se dos estado da nossa democracia e não participam, mas esquecem-se que é exactamente essa falta de participação que a levou a chegar ao seu estado actual.

Aflige-me viver num País em que será necessário haver uma tempestade de proporções bíblicas, um terramoto, uma peste ou uma série de fuzilamentos colectivos para haver uma grande afluência às urnas.

A participação cívica está a esvaziar-se rapidamente no associativismo, na solidariedade, nas manifestações culturais e até mesmo na religião, onde os portugueses se assumem secularmente como católicos… mas hoje em dia são não-praticantes.

A julgar pela baixa taxa de natalidade do nosso País, e assistindo a esta tendência pouco participativa das nossas gentes, começo até a pensar que apesar de se afirmarem na maioria heterossexuais, talvez os portugueses se fiquem só pela treta também neste campo.

Em suma e num desabafo: é triste viver num País em que não se opina.

 

Dia Mundial do Feto

Junho 1st, 2011

Hoje comemora-se o Dia Mundial da Criança, um dia que tenho saudades de comemorar para mim próprio mas que espero voltar a festejar futuramente com a minha prol.

Ao longo do ano celebramos também o Dia do Pai, o Dia da Mãe, mas parece-me que no meio de tudo isto nos esquecemos daqueles seres que estão no hall de entrada deste mundo e que, quanto a mim, também merecem um dia só para eles.

O Dia Mundial do Feto seria então uma festividade dedicada exclusivamente a esses pequenos rebentos em gestação e todas as actividades do dia estariam vocacionadas para eles.

Seria uma forma de eles sentirem verdadeiramente o quão importantes e acarinhados são, mesmo antes de saírem do conforto da barriga materna.

Se no Dia Mundial da Criança é habitual haver palhaços, concertos e insufláveis, no Dia Mundial do Feto seria mais provável encontrar pinturas de barriguitas, exposições de ecografias e histórias sussuradas ao umbigo, juntamente com seminários e aulas abertas de preparação para o parto, a que assistiriam as senhoras grávidas e respectivos companheiros.

O símbolo deste dia, evidentemente, seria o homónimo perfeito do feto: o feto.

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