T-shirts marcadas

Junho 29th, 2011

É um desafio titânico tentar comprar uma t-shirt original e de boa qualidade nas lojas de marcas conhecidas, nos centros comerciais.

Isto porque aparentemente saíram de linha os modelos em que o tecido não tenha sido invadido por letras com o nome da marca em tamanho gigante, para que não passe despercebido ao mais distraído dos transeuntes.

Qual é o interesse de comprar uma peça de roupa que tenha inscrita em letras garrafais a marca que estamos a usar?

Parece que todas as marcas se lembraram de transformar os seus clientes em outdoors ambulantes, tal como se fazia antigamente com aqueles painéis sanduíche que se punham em cima das pessoas, que depois andavam na rua a espalhar a mensagem desejada.

Acho piada que há quem ache parolo andar com uma t-shirt de um clube de futebol, mas não se importa nada de ter uma marca de roupa a ocupar toda a parte da frente de uma t-shirt!

Diz que é fashion, ao que parece.

Não consigo perceber porque é que se está a pagar tanto para fazer publicidade a uma marca.

No sentido exactamente contrário ao que é suposto acontecer, o cliente está a pagar para fazer publicidade de borla à marca.

Não devia ser ao contrário?

– Se não se importar de ter a nossa marca estampada em 85% da parte visível da sua t-shirt nós damos-lhe 34€.

– Não sei, parece-me pouco. Ainda ontem pedi um orçamento para um outdoor aqui à entrada do centro comercial e pediram-me 700€ por mês. E é fixo, não anda por toda a cidade! Ora como eu espero usar esta peça pelo menos 10 vezes acho que podemos negociar a partir de 230€, que me diz?

– Infelizmente só lhe podemos dar até 100€. Mesmo em saldos só podemos oferecer até 200€. Com esta crise temos que cortar um bocadinho no orçamento para publicidade, como com certeza compreenderá.

– Fazemos assim, como eu gosto muito da cor e simpatizo com a menina porque tem um busto apetecível, ficamos pelos 100€ e o seu número de telefone, e assim eu levo a t-shirt, pode ser?

– Muito bem. O meu número é o 936###### e aqui estão os seus 100€. Pedimos só que não adultere a t-shirt e nem a dê assinar a nenhuma celebridade porque pode ser alguém com quem a nossa marca não se identifique e isso poderá prejudicar a nossa imagem.

– Ok, obrigado. Logo falamos então.

 

Be Virgin

Junho 27th, 2011

– Boa tarde, o Dr. Rómulo está?

– Está sim, mas hoje é dia de consultas e o senhor doutor tem o dia cheio, posso ajudar?

– Não sei, acho que tem que ser mesmo com ele. Vinha aqui buscar a minha virgindade, porque o senhor doutor ficou-me com ela há uns tempos e depois disse-me para passar cá se precisasse dela.

– Pois, mas fez marcação?

– Fez, fez! Foram quase dois anos sempre atrás de mim, marcação cerradíssima, até que eu lá lha dei, mas só porque ele disse que depois ma devolvia se fosse preciso.

– E isso foi há quanto tempo?

– Há três meses.

– Ui! Mas assim não acredito que o doutor devolva, porque nós só fazemos devoluções até ao prazo máximo de um mês.

– Nem me diga uma coisa dessas, que eu preciso mesmo de ter isso de volta menina! É que na altura eu até nem tinha ninguém e nem notava a falta, mas entretanto conheci um rapazinho muito jeitosinho, que é sobrinho do padre que me confessa, e vou casar para a semana. E o que se passa é que sempre lhe disse que nesse dia lhe dava a virgindade a ele. Agora o que é que eu faço?

– A original não me parece mesmo que se consiga, até porque o doutor passado um tempo de as usar deita fora, mas eu costumo usar aquele pacote de experiências Be Virgin, que tem muitas soluções interessantes.

– Ai sim? E funcionam mesmo?

– Olhe, eu não tenho razão de queixa, ainda ontem usei aquela em que nos põem uns tomatinhos maduros de pele fraca, que rebentam muito bem e depois até têm nutrientes que fazem bem à pele e tudo, e o aspecto é magnífico, parece mesmo a sério. Sabe que quem namora muito está sempre a usar coisas destas.

– Namora muito, é?

– É. Infelizmente namoro muito, mas já estou a reduzir.

– Quantos namora?

– Agora já reduzi para um por semana e até já me sinto melhor. Houve alturas em que era um por dia, e então se saísse à noite eram dois ou três. Só no dia a seguir é que notava o que aquilo me fazia. Era um sufoco! Mas agora namoro muito menos e até estou a pensar em deixar de vez, porque isto faz muito mal à saúde.

– Acho que faz muito bem, eu só namorei algumas vezes, socialmente, e até nem gosto muito, sinto-me muito melada… não sei… é esquisito!

– O mal é que eu gosto sabe? Mas eu hei-de conseguir deixar! Voltando ao seu assunto, não me parece que o doutor vá encontrar a sua virgindade no meio da confusão que está naquele escritório, por isso faça como eu lhe disse e vai ver que o seu futuro marido nem se apercebe.

– De certeza?

– Absoluta, vá por mim.

– Vou experimentar então menina. Mas de qualquer das formas faça-me um favor e diga ao senhor doutor que eu cá vim, para o caso de ele encontrar aquilo me poder devolver ainda esta semana, está bem? O que é nosso tem sempre outro aspecto não é? E se for possível preferia não ter que usar outras coisas.

– Tem razão, vamos ver se é possível. Se houver novidades eu ligo, mas se não falarmos até lá: felicidades para o casamento!

– Obrigado menina.

Arraial Mix

Junho 24th, 2011

No seguimento das festas sanjoaninas de ontem, detectei uma lacuna muito grave na discografia nacional.

Festa popular que é festa popular precisa de bailarico, e como nem toda a gente se pode dar ao luxo de contratar bandas para animar as festas de bairro ou particulares em cima de carrinhas de caixa aberta, era de valor que alguém fizesse uma compilação de músicas de raiz popular, geradoras de abanão de ancas, comboínhos e danças de mulher com mulher.

A nossa tradição merece que se faça então edições anuais do “Arraial Mix” que congreguem os grandes êxitos do momento para animar a folia entre martelinhos, sardinhas, caldo verde e verde tinto.

Os arraiais têm tanto direito ao seu mix como o carnaval ou a passagem de ano, e já é tempo de reunir esse espólio de preciosidades musicais, para facilitar o trabalho de quem organiza anualmente estas festas na sua rua ou em sua casa.

Vou ainda mais à frente no meu repto colectânico, desafiando as editoras a criarem, tal como foi feito para o fado, a “Antologia do Arraial”, com músicas de ontem e de sempre, de dá cá um balão para eu brincar a fungágás e solidós.

Vamos lá ver isso senhores dos discos, que é sucesso garantido!

Enganos com fartura

Junho 23rd, 2011

“- Queria um churro só com açúcar, uma fartura quentinha e um Sumol de laranja por favor.”

Passados mais de quinze minutos de espera chega finalmente o pedido à mesa.

Um churro só com canela, uma fartura fria e melada e virando a garrafa de sumo caíram meia dúzia de gotas, ficando o resto aprisionado no interior sob a forma de um enorme bloco de gêlo.

Além disso, era de ananás.

S. João da Ponte, Braga, ontem à noite.

Algo vai mal na corte do Rei das Farturas!

Senna

Junho 20th, 2011

Quem me conhece sabe que não sou pessoa dada a idolatrias, fanatismos ou seguidismos, mas existem personalidades que admiro de forma muito intensa, pela sua personalidade, carácter e percurso de vida.

Ayrton Senna foi uma dessas personalidades, que me deixava colado à televisão a seguir as suas proezas, que me punha a vibrar nos duelos fantásticos que protagonizou com Prost ou Mansell, e que conseguia ser mais que um mero piloto, um exemplo de humildade, trabalho, persistência, rigor e positivismo.

Foi por isso com muita emoção que vi o filme documentário “Senna“, um filme muito bem estruturado, com testemunhos sentidos – alguns deles surpreendentes – de quem viveu de perto com ele todos os momentos do seu interessantíssimo percurso, e que me prendeu emocionado ao ecrã durante mais de duas horas.

Um filme que lhe faz jus e que muito dignifica a vida deste grande piloto.

Um documentário imperdível para qualquer adepto do desporto automóvel, da Fórmula 1, para os fãs de Ayrton Senna, mas também para quem quiser conhecer mais em pormenor um bom exemplo de vida.

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