Mais uma primavera, a mais feliz de todas

Maio 30th, 2011

Ora cá está mais uma primavera, mas esta é festejada com mais felicidade que nunca.

Os festejos de aniversário podem ser paradoxais, na medida em que assinalam o facto de estarmos com as peças mais envelhecidas e gastas.

Não me recordo de ver ninguém regozijar-se pelo seu carro já ter mais um ano, aliás, bem pelo contrário.

Mas eu festejo o meu aniversário com alegria porque tenho o privilégio de estar rodeado de gente muito boa, uma família inadjectivável, que me fez o homem que sou e a quem tudo devo, amigos incomparáveis, presentes em todos os momentos, e estou inserido num grupo de trabalho onde me sinto bem e concretizado.

Com o passar dos anos, felizmente, vai aumentando o rol de pessoas fantásticas que me rodeiam e que dão sentido à minha vida, e por isso a felicidade cresce proporcionalmente.

Mas este ano estou particularmente feliz, porque festejo o meu aniversário sabendo que estou prestes a concretizar um sonho, esperando pela chegada de mais uma pessoa que será, com toda a certeza, excepcional: o meu primeiro filho.

E se os passarinhos chilreiam na primavera, imaginem a chilreadeira que vai neste coração!

Esta foi a prenda que recebi logo pela manhã das mãos da minha maravilhosa mulher, uma t-shirt que poderá servir de babete daqui a uns meses.

Para o pai, não para o filho, porque desconfio que a quantidade libertada justificará que me dedique à exportação de baba, para ver se ajudo a equilibrar a nossa balança comercial.

A imagem parece querer simbolizar a minha pessoa a chocar um ovo, mas eu não sou pessoa que goste de chocar ninguém, e por isso limito-me a acarinhar uma barriga linda aguardando serenamente por esse dia tão especial.

Estou muito feliz e por isso decidi partilhar aqui esta felicidade com todos os que normalmente lêem as minhas escrevinhices e deixar um beijo e um abraço muito grande a todos.

S. João de Dublin

Maio 6th, 2011

Ontem foi noite de enorme regozijo e festa para o senhor S. João porque viu os principais clubes de duas cidades de que é santo padroeiro qualificadas para a final da UEFA Europa League, no dia 18 de Maio em Dublin.

Isso significa que vai poder exportar o seu conceito de festa além fronteiras e os martelinhos vão sair das caixas mais cedo e rumar para esta cidade do norte da Irlanda, enfeitando-a com a tradicional folia nortenha.

Segundo consta, a Câmara Municipal de Dublin foi invadida desde ontem à noite por uma torrente de faxes pedindo autorizações para instalação de roulotes de farturas, churros, cassetes de música popular e pão com chouriço, licenciamento para a instalação de carrinhos de choque, tiro à fita e chuto ao boneco.

A Confraria do Alho Porro já se ofereceu para ajudar a polícia local a minimizar os efeitos da esfrega do dito alho nas narinas dos seus cães.

A emigração de sardinhas para o rio Liffey também já começou, nas esperança de conseguirem emprego nas grelhas locais nesee dia.

Seguindo a tendência dos últimos anos, as embaixadas do Senegal, Costa do Marfim e Togo também já pediram acreditação para os seus vendedores de rua poderem estar presentes, associando-se à festa.

A transposição da festa de S. João para a cidade Dublin tem outro aliado de peso, porque o verde é a cor favorita do seu padroeiro S. Patrício, que já revelou que vê com bons olhos a chegada do caldo verde, pimento verde e vinho verde à região.

A restauração local já começou a dar formação aos seus funcionários, para estes tomarem conhecimento do significado das palavras fino, francesinha, bifana, courato, malga ou cimbalino.

Também receberam instruções para responder com um sorriso quando chamados pelas palavras begueiro ou murcoum.

Vai ser com certeza uma grande festa, um momento histórico e um grande orgulho para o futebol português e um dia inesquecível para todos os adeptos que tenham o privilégio de assistir a este jogo ao vivo.

Parabéns ao F.C. Porto e ao S.C. Braga!

 

Tratamento desigual

Maio 2nd, 2011

Há alturas na vida em que o sítio onde estamos sentados influencia perniciosamente o nosso pensamento.

Digo isto porque dei por mim há pouco a pensar que se compararmos as duas convulsões sintomáticas de doença ou mal estar, a tosse e o espirro, denotamos que o espirro é muito beneficiado em relação à tosse, na forma como o recebemos.

Se repararmos bem, o espirro é sempre saudado, após a sua chegada inesperada, com um sonoro “viva!”, “saúde!” ou “santinho!”, expressões aliás que originam o agradecimento imediato do autor do espirro.

A tosse por outro lado é recebida com indiferença, sem qualquer expressão popular que a acompanhe.

Por muito que uma pessoa fique roxa de tanto tossir, nem uma palavra de carinho, nem uma expressão de solidariedade.

Com a proliferação das associações defensoras dos direitos de qualquer coisa que se mexa, até me admira que ninguém tenha ainda levantado a voz para reivindicar o direito da tosse ser igualmente recebida com expressões semelhantes à dos espirros.

O mesmo se passa com os soluços, mas noutra escala, já que estes têm em relação aos outros a vantagem de acarretarem consigo momentos hilariantes de apneia, sustos ou encharcamentos massivos de traqueia.

Tudo isto, dizia eu no início, porque estava sentado em louça sanitária, tendo por isso esta pequena reflexão a forte influencia do produto interno bruto que tinha acabado de libertar.

A administração pede desculpa por qualquer desconforto causado.