Talking Funny

Abril 26th, 2011

Tive hoje o enorme prazer de visionar uma amena cavaqueira entre quatro grandes senhores do humor mundial: Chris Rock, Louis C.K. e os grandes mestres Jerry Seinfeld e Ricky Gervais.

O programa chama-se Talking Funny, já se consegue encontrar algures pendurado nas cordas impolutas da rede, e é uma delícia de converseta.

Para quem gosta de humor e de perceber a mecânica do mesmo, esta partilha de experiências informal entre quatro grandes humoristas é absolutamente imperdível.

D. Lusa

Abril 22nd, 2011

A estória que hoje tenho para partilhar convosco não é nada alegre, é uma estória que me deixa perplexo perante um cenário incompreensível.

D. Lusa namorou 7 anos com aquele que viria a ser o seu marido, separaram-se momentaneamente por vicissitudes da vida, mas ao fim de pouco tempo o amor falou mais alto e são já casados há 6 anos.

O que a seduziu nele foi a sua imagem de galã, a sua facilidade de comunicação, os seus planos para um futuro risonho, a segurança que dele emanava e a certeza de que ao seu lado tudo seria um mar de rosas.

No início, como em tudo na vida, as coisas correram aparentemente bem, mas ao fim de algum tempo a máscara começou a cair e a arrogância do marido veio acompanhada de violência verbal, rompimento de promessas, gastos com coisas supérfluas e esbanjamento com os amigos dele, mentiras, pressões para ela não dizer nada a ninguém, traições, vícios vários, tornando o ambiente insuportável e insustentável, espoliando-a dos seus recursos financeiros e da estabilidade que tinha adquirido com o tempo e deixando-a sem dinheiro sequer para tratar da educação ou saúde dos seus filhos, com dificuldades até para lhes garantir o pão futuramente e marcas muito profundas, que dificilmente serão saradas.

D. Lusa é uma mulher bonita, muito bonita, com valores morais centenários, de boas famílias, desejável para qualquer homem, e portanto não lhe faltaram, ao longo da sua vida e até hoje, pretendentes ao lugar de seu marido.

Com o passar do tempo tornou-se no entanto numa mulher acomodada, sujeitando-se aos vários abusos sem retorquir, fechando os olhos aos sinais, ignorando as evidências e rezando muito, só rezando, para um dia acordar de um sonho mau e regressar ao seu mundo idealizado.

Apesar do mal estar sufocante, de ter a certeza de que o marido é mau para ela, pensa que todos serão como ele e que não vale a pena aspirar a algo melhor, porque fatalmente irá redundar no mesmo tipo de pessoa.

Nem lhe passa aparentemente pela cabeça abandonar o seu marido, fiel a uma teimosia dolorosa, que a arrasta cada vez mais para o fundo.

Nada fez para o denunciar às autoridades e responsabilizá-lo pelo estado miserável a que a sua vida chegou, como é comum nas mulheres vítimas de violência doméstica, e só com muita pressão externa foi forçada a revelar a realidade do seu quotidiano.

Quando questionada sobre a sua relação, depois de expostas publicamente todas as fragilidades do seu casamento e abusos a que foi sujeita, D. Lusa encolheu os ombros, resignada ao seu fado, e disse que não queria apresentar queixas, e mais, sabe-se agora, comentou que ponderava manter no futuro a relação com o seu marido.

A única certeza que tem na sua vida é que o seu marido a maltrata, mente descaradamente e continuadamente abusa dela.

O futuro ao seu lado é doloroso e negro, mas nem sequer lhe passa pela cabeça mudar, porque acredita que os outros também devem ser da mesma laia.

Serão, talvez – nada dá certezas do contrário-, mas ainda haverá uma réstia de esperança de que pelo menos o seu próximo parceiro não seja tão mau.

Porque teima em não mudar?

Será assim tão estranho ter vontade de procurar alguém diferente, que lhe possa trazer felicidade e prosperidade?

E porquê limitar-se a ouvir só os homens do seu bairro?

Porque não viajar ao bairro vizinho, ao das casinhas pequenas, na esperança de encontrar alguém que satisfaça as suas necessidades e que pelo menos a respeite, trabalhe para lhe dar um futuro consistente e a ajude a eliminar a erva daninha do seu jardim?

Como é possível que esta mulher se permita ficar agarrada a quem tão mal lhe tem feito, sem se revoltar contra ele, sem se insurgir com quem a magoa?

Como é possível que esta mulher se acomode a uma relação podre, sem esgotar todas as alternativas e partir para a luta, determinada como os seus antepassados e senhora do seu futuro?

Estou amargurado porque gosto imenso da D. Lusa e a vejo apática e sem esperança, frustrado porque não consigo fazê-la entender o óbvio, incrédulo por vê-la perpetuar um erro.

O meu apelo para a D. Lusa é o seguinte: não premeie quem mal lhe fez mantendo uma relação que já tanto a magoou, arrisque mudar, abra os olhos e procure novos caminhos, procure fora dos caminhos habituais, porque esses já estão caminhados, recalcados e esburacados.

Dê uma volta à sua vida, aproveite para limpar a casa, areje-a, decore-a de novo e escolha um novo marido que a ajude a ser feliz como merece!

Tenho saudades de a ver bonita, tranquila, confiante e orgulhosa, quero vê-la de novo a sorrir.

Fuso horário unipessoal

Abril 19th, 2011

Há pessoas que parece que têm um fuso horário unipessoal, normalmente regulado a ocidente das outras pessoas.

Quando se combina um encontro para determinada hora, chegam sempre depois, e agem como se nada fosse e até seja perfeitamente normal chegar com mais de 30 minutos de atraso.

Os fusos horários unipessoais caracterizam-se pela falta de rigor científico, variando muito de pessoa para pessoa, mas variando também na própria pessoa, que pode chegar com 15 minutos de atraso a um local, mas no mesmo dia pode aparecer, numa segunda vez, 45 minutos depois da hora.

É um mistério o funcionamento e a regulação deste género de fuso horário.

A mim causa-me imenso transtorno, porque me regulo pela exactidão do fuso horário nacional (seja lá onde estiver) e por isso estou no local combinado, regra geral, escrupulosamente à hora marcada.

E ainda por cima sou uma pessoa que “jet-laga” com facilidade, como se constata pela aparição regular da sintomatologia associada, como sejam dores de cabeça, confusão e irritabilidade, de cada vez que combino alguma coisa com uma destas pessoas.

Se considerarmos que “tempo é dinheiro”, não seria pertinente que houvesse uma lei que obrigasse ao pagamento de uma taxa por se perder tanto tempo e paciência à espera que estas pessoas apareçam?

“Estou aqui à tua espera há mais de 20 minutos! Estás-me a dever 10€ de T.E.M.P.O. (Taxa Especial por Massacrar a Paciência dos Outros).”, seria uma frase possível de aplicar com o surgimento dessa taxa.

Acredito que a partir daí muita gente começasse começasse a acertar o seu relógio interno pelo fuso horário nacional e não pelo seu próprio fuso.

Se não o fizessem , pelo menos eu poderia deixar de trabalhar e dedicar-me exclusivamente a viver de T.E.M.P.O.

Terapia de choque

Abril 11th, 2011

Estudos recentes de uma Universidade – que lançou os resultados da sua pesquisa de forma anónima –  indicam que as aves são o conjunto de seres vivos que melhor prepara as suas crias para a dureza da vida, porque chocam os ovos antes de lançar os seus jovens inquilinos para o cruel mundo.

O chocar dos ovos é um processo que consiste em sentar-se em cima deles durante o período de gestação, para que as crias sintam o peso da responsabilidade que se avizinha, ao mesmo tempo que – e esta é a grande descoberta deste estudo – os vão deixando progressivamente chocados com a leitura diária do Correio da Manhã e do Diário da República.

Esta terapia de choque será, segundo os anónimos investigadores, a razão pela qual os passarinhos teimam em defecar na cabeça dos humanos.

Rrrrrrrrrrrr

Abril 7th, 2011

Se não der para mais nada, o cenário económico actual pode-nos pelo menos ajudar a actualizar alguns exercícios de articulação verbal.

Ora vejamos o exemplo didáctico:

“O rating roeu a rolha e relembrou o recurso à roleta russa”.