O outro

Fevereiro 17th, 2011

Admiro o outro e gostava de o conhecer.

Quando digo o outro não me refiro a uma qualquer figura que representa o amante de alguém, não.

O outro a que me refiro é aquela pessoa extraordinária, sempre com algo sensato e espirituoso para dizer, que anda na boca de grande parte dos portugueses.

Mais citado que poetas, futebolistas, comediantes, políticos ou líderes religiosos, o outro inspira grande parte da população portuguesa, que bastas vezes para fazer uma intervenção pertinente recorre ao que já por esse guru foi dito.

“É como diz o outro: …”

Admirável a forma como mesmo este intróito já soa bem, anunciando o quão apropositada será a frase seguinte.

A figura abstracta na qual se escuda o outro adensa o mistério sobre este mestre da fraseologia e aumenta em mim o fascínio pela sua personagem.

Adorava conhecer o outro.

Aliás, numa limpeza profunda ao meu âmago é capaz de se encontrar um cotãozinho de esperança em tornar-me um dia, eu mesmo, no próprio outro.


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