Flatulência criminalizada

Fevereiro 10th, 2011

Eu não sei qual a taxa de incidência do flato no Malaui – apesar de ser um dado importante,  que não escapará a qualquer cidadão de cultura média – mas o que é certo é que essa é uma questão que preocupa as autoridades locais.

Ao que se lê na imprensa, a flatulência pública neste estado africano é de tal forma preocupante que o Ministro da Justiça deste país a pretende criminalizar.

E ainda nós nos queixamos que os nossos políticos se preocupam com questiúnculas de m€%&a!

Numa observação antropológica pertinente, o Ministro da Justiça afirma que os Malauis não se “largavam” publicamente nos tempos da ditadura porque temiam as consequências deste acto, mas que a democracia partidária fez com que as pessoas pensassem que já teriam liberdade de expressão rectal.

Com os gases acumulados em 27 anos de ditadura é natural que ainda haja muito metano para sair das entranhas dos Malauis nos próximos anos, e a questão torna-se assim explosiva.

Tenho muitos amigos que desconfio que não passariam das escadas de acesso ao aeroporto de Lilongwe, principalmente depois de uma noite de copos, e outros que regozijariam com a entrada em vigor de uma lei semelhante em Portugal, principalmente em espaços fechados, mas a meu ver deve haver bom senso nesta questão.

Os Malauis têm direito a expelir a sua gaseificação, até porque senão incham de uma forma que poderão começar a ser confundidos com elefantes-bebé, e por isso proponho a criação de “salas de bufo”, semelhantes aos espaços criados para os fumadores nos aeroportos, onde só entra quem quer e onde se evita o incómodo do cheiro para o comum transeunte.

Outra solução – e uma excelente oportunidade de negócio para o sr. Amorim – é o enrolhamento obrigatório dos Malauis na via pública, sendo apenas permitida a remoção da rolha em casas de banho estanques, com sistemas de purificação do ar integrados.

A massificação dos saca-rolhas poderia, no entanto, fornecer um álibi a alguns criminosos que utilizem este utensílio para fins menos próprios, e isso deve ser tomado em consideração na avaliação das propostas.

Outra medida a ser implementada pelas autoridades, depois da entrada em vigor desta lei, é a instalação de detectores de bombinhas de cheiro e travesseiras de pus nos locais públicos, para que ninguém tente incriminar niguém.

Além disso deverão desenvolver reconhecedores electrónicos de traques, que permitam  identificar se o som é de facto originário do traseiro do acusado ou se é emitido pelo sovaco de alguém que o deseje enviar injustamente para a cárcere.


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