Montras aquáticas

Dezembro 17th, 2010

As marisqueiras e restaurantes à beira mar têm frequentemente um aquário com peixe e marisco vivos, uma montra para que os seus clientes possam escolher o animal que vão comer, imediatamente antes de este ser posto no tacho.

Faz-se o mesmo na Ásia com outros animais não aquáticos, porém nós, ocidentais, consideramos essa prática nojenta e um atentado aos direitos dos animais, mas isso agora não interessa nada.

O que me suscita curiosidade é saber se os aquários maiores ou os oceanários serão ou não, no fundo, uma enorme montra, para gourmands que apreciem animais aquáticos diferentes das opções que se costumam encontrar nas cartas dos restaurantes vulgares.

Há gente excêntrica o suficiente para apreciar este tipo de iguarias e pagar balúrdios por isso, e portanto esta poderá ser uma excelente fonte de rendimento adicional, já que os custos de manutenção deste tipo de estruturas são elevadíssimos.

Ainda há pouco tempo me pareceu ver um senhor a salivar enquanto olhava para a lontra Amália, com certeza imaginando-a a rodopiar num tacho, para ser depois acompanhada na mesa por um risotto de trufas.

Ou isso ou sonhava em ser o substituto do falecido lontra Eusébio na vida sexual da divertida lontra, mas seja como for estava também disposto a pagar muito, pareceu-me.

Para dar maior transparência (fundamental no mundo dos aquários) a este processo de venda, os aquários e oceanários deviam incluir na ficha técnica dos animais expostos a forma ideal para os cozinhar, o tempo de cozedura, acompanhamento ideal e o valor de venda ao público, sem desconto ACP.

Ficaria mais ao menos assim:

“Peixe Palhaço (vulgo Nemo) “Amphiprion ocellaris” –  Idealmente frito com pitada de flor de sal durante 2 minutos em azeite de oliva muito quente, acompanhado por souflé de rúcula e batata e um vinho da casta Alvarinho, bem fresquinho – 2.000€ a unidade.


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