Limbo de fim de ano

Dezembro 29th, 2010

O Limbo poderá ter várias definições, sendo que uma delas é a de que se trata de um espaço transitório, algo semelhante, numa versão simplificada, a este que vivemos entre o Natal e a passagem de ano, em que tudo está aberto mas nada está verdadeiramente a funcionar, porque estamos num período indefinido que é comummente designado por “festas”.

Há até quem teimosamente continue a desejar ao longo desta semana “boas festas!” a quem se cruza consigo, sem se aperceber que uma das festas já passou, e que portanto deveriam rectificar esses desejos para um simples “boa festa!”.

Outra definição para a palavra Limbo, está associada a uma dança/coreografia/dinâmica de grupo/jogo (parece um código de barras), em que um grupo de pessoas se dispõe em fila perante uma fasquia com o intuito de, um a um, conseguir passar por baixo dela sem a derrubar e sem se desequilibrar, podendo tocar no chão somente com os pés.

É um movimento complicado, onde a dificuldade aumenta à medida que o tempo passa, baixando-se a fasquia gradualmente.

Parece-me que esta é uma boa imagem para ilustrar o País no final deste ano, vergado perante uma fasquia que baixa muito rapidamente, tentando uma manobra de contorcionismo dificílima para não cair e mantendo o esforço de passar para o outro lado sem tocar com as mãos no chão.

Do outro lado está a esperança de um futuro mais folgado, em que se poderá eventualmente andar de cabeça erguida e restabelecer o equilíbrio natural de que tanto necessitamos.

Este é o meu último post deste ano, por isso o aproveito para desejar que cada um de vós consiga, na medida do possível, passar mais uma fase deste Limbo com agilidade, equilíbrio, rapidez, dedicação, entreajuda e graça.

Vemo-nos em 2011, de pé, com força nas pernas e com muito optimismo.

Feliz Natal

Dezembro 23rd, 2010

Carteiras economizadoras

Dezembro 22nd, 2010

Enquanto escrevo, milhões de pessoas estarão a fazer compras de Natal de última hora, com forte possibilidade de se deixarem levar por compras de impulso e gastarem mais do que desejariam e poderiam, sem sequer se aperceberem.

Pensando nestas pessoas e noutras com iguais problemas em gerir as suas economias, os laboratórios do MIT desenvolveram umas carteiras que encolhem à medida que o seu dono vai gastando dinheiro ou usando os cartões de crédito, dificultando assim o acesso ao chamado “pilim”, para evitar consumo excessivo.

Existem três modelos diferentes, todos equipados com um computador interno que está ligado a um smartphone do utilizador via Bluetooth, permitindo acesso permanente à situação do saldo da sua conta bancária.

Quanto mais o dono gasta, mais esforço a carteira faz para dissuadi-lo de continuar a gastar, acrescentando a dificuldade de aceder fisicamente ao dinheiro e aos cartões.

O criador, John Kestner, chama-lhes “Proverbial Wallets“, qualquer coisa como “carteiras sábias” e era muito bom que fosse a próxima aquisição do Estado português para oferecer à sua administração pública.

Revelação Wikileaks: Pai Natal não existe

Dezembro 20th, 2010

A mais recente bomba da Wikileaks rebentou nos programas infantis como Noddy, Winx e Ruca, os meios de comunicação escolhidos para divulgar a toda a pequenada a sua mais recente e polémica descoberta: o Pai Natal afinal não existe.

Segundo a Wikileaks, que conseguiu esta informação através de um duende anónimo que tem um caso com uma ex-secretária do embaixador dos EUA na Lapónia, e que conseguiu ter acesso aos seus e-mails, um senhor encorpado e barbudo é contratado todos os anos, num casting secreto organizado conjuntamente pelos governos dos EUA, Reino Unido, Lapónia e pela Associação dos Avós.

O senhor escolhido é depois sujeito a uma operação na garganta para o impedir de revelar verbalmente o segredo, conseguindo apenas emitir o som “OH”, sendo-lhe simultaneamente feito um branqueamento capilar e a implantação de luvas felpudas e sem dedos, para não poder escrever mensagens nem executar linguagem gestual.

No conteúdo dos e-mails agora divulgados revelam-se factos assustadores e dignos de exposição pública, como o patrocínio encapotado da Coca-Cola a esta fraude de proporções mundiais, a falta de chip nas renas que indicia que não estarão devidamente registadas nem vacinadas, o envolvimento de pais de todo o planeta que forjaram cartas durante anos (o teor dessas cartas será também divulgado aos poucos nos próximos dias), e a enorme falta de consideração por outros símbolos natalícios, inclusivamente com desrespeito directo na referência ao próprio fundador da quadra, Jesus Cristo, que é mencionado na correspondência por alcunhas como “Berçolas”, “Fraldinhas”, “Pastel de Belém” ou “Pirralho”.

O fundador da Wikileaks, Julian Assange, afirmou que está muito feliz pela partilha desta informação com as crianças de todo o mundo e já garantiu que não ficará por aqui na sua luta pela transparência e liberdade de expressão, prometendo para breve novas revelações acerca do Coelhinho da Páscoa, da Fada do Dente, da WWE e dos truques de Houdini.

Montras aquáticas

Dezembro 17th, 2010

As marisqueiras e restaurantes à beira mar têm frequentemente um aquário com peixe e marisco vivos, uma montra para que os seus clientes possam escolher o animal que vão comer, imediatamente antes de este ser posto no tacho.

Faz-se o mesmo na Ásia com outros animais não aquáticos, porém nós, ocidentais, consideramos essa prática nojenta e um atentado aos direitos dos animais, mas isso agora não interessa nada.

O que me suscita curiosidade é saber se os aquários maiores ou os oceanários serão ou não, no fundo, uma enorme montra, para gourmands que apreciem animais aquáticos diferentes das opções que se costumam encontrar nas cartas dos restaurantes vulgares.

Há gente excêntrica o suficiente para apreciar este tipo de iguarias e pagar balúrdios por isso, e portanto esta poderá ser uma excelente fonte de rendimento adicional, já que os custos de manutenção deste tipo de estruturas são elevadíssimos.

Ainda há pouco tempo me pareceu ver um senhor a salivar enquanto olhava para a lontra Amália, com certeza imaginando-a a rodopiar num tacho, para ser depois acompanhada na mesa por um risotto de trufas.

Ou isso ou sonhava em ser o substituto do falecido lontra Eusébio na vida sexual da divertida lontra, mas seja como for estava também disposto a pagar muito, pareceu-me.

Para dar maior transparência (fundamental no mundo dos aquários) a este processo de venda, os aquários e oceanários deviam incluir na ficha técnica dos animais expostos a forma ideal para os cozinhar, o tempo de cozedura, acompanhamento ideal e o valor de venda ao público, sem desconto ACP.

Ficaria mais ao menos assim:

“Peixe Palhaço (vulgo Nemo) “Amphiprion ocellaris” –  Idealmente frito com pitada de flor de sal durante 2 minutos em azeite de oliva muito quente, acompanhado por souflé de rúcula e batata e um vinho da casta Alvarinho, bem fresquinho – 2.000€ a unidade.