Segurança nata

Novembro 19th, 2010

Estive ontem à noite naquele que é apontado como o sítio mais seguro do mundo neste momento, no Parque das Nações, em Lisboa, onde vai decorrer a Cimeira da NATO.

Cheguei lá de noite e deparei com um enorme aparato policial, com centenas de polícias e dezenas de viaturas, tudo fortemente rodeado por grades de mais de 2 metros de altura, para que nada passe.

À minha frente estava o cordão policial que passava em revista todos os que ali transitavam e eu, vestido de preto, com uma mochila às costas e com uma figura que já me levou a ser confundido com um egípcio no próprio Egipto, pensei que seria sujeito a uma daquelas revistas rigorosas em que, em última instância, alisam até a pilosidade pubiana.

A minha mochila tem três compartimentos de média dimensão,sendo que em todos eles carregava pelo menos uma bolsa opaca, misturadas com livros e roupa, por isso pensei que teria entretenimento para muito tempo.

Nada mais errado.

Revistar-me foi algo que não terá pensado pela cabeça dos polícias e a muito custo lá pediram para abrir a mochila, sim senhor, numa operação que terá durado no máximo 5 segundos.

Tirei-a das costas, abri o primeiro compartimento (que continha dois volumes opacos – a minha bolsa de higiene e um saco com comida), o polícia deu uma breve mirada, e quando ia abrir o segundo disseram-me que estava tudo bem e que podia passar, acompanhado de um sorriso e votos de boa noite.

Não é que não fosse agradável a facilidade de passagem e a simpatia demonstrada, mas por toda a pompa demonstrada e o volume de dinheiro investido no reforço da segurança, nunca pensei que fosse aplicado aqui o habitual regime de nacional porreirismo.

Resta-me acreditar que este aparente desleixo mais não é do que uma estratégia psicológica de alto gabarito.

Se formos hospitaleiros e muitos simpáticos, estabelece-se uma empatia enorme com os potenciais terroristas, de tal forma que os levará a abandonar os seus maléficos esquemas de destruição, e até a comprar um ou outro pastel de Belém, que acondicionarão na volta, junto da embalagem de C4.

Esperemos que funcione e que não esteja já aquela zona preparada para uma implosão, com cargas explosivas levadas no interior de mochilas, dentro de bolsas de higiene.


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