Mr. Potato Head

Setembro 6th, 2010

A madrugada de sábado para Domingo trouxe mais um forte sinal da minha velhice latente.

Ao espreguiçar-me a meio da noite consegui fazer a proeza de pôr um músculo da perna a saltar – o gémeo da perna direita – como se fosse dar uma voltinha nocturna para fora do meu corpo, com a respectiva dor associada a fazer-se notar agudamente.

Consegui conter o enorme grito de dor que buzinava junto do meu sistema nervoso central, prontinho para sair com toda a força, enquanto esperneava simultaneamente para alongar o músculo, sempre com o máximo cuidado para não perturbar o sono da minha mais que tudo, numa notável performance plena de concentração e sincronismo.

Estou numa fase da vida em que pareço a versão humana do Mr. Potato Head, com as peças a saltarem para fora do corpo como se dissessem “não quero brincar mais contigo”.

Sou um bocado teimoso, e preservador dos meus amigos de brincadeira de toda a vida, portanto vou tratando de as voltar a pôr no sítio, pelo menos para já, enquanto vou podendo.

Claro está que tenho que remediar com as peças que vou tendo, remendado-as, e assim se calhar arrisco-me a ficar parecido com aqueles trabalhos toscos de colagens de papel que fazia na primária.

É aí que reside a enorme vantagem do bonequinho em relação a mim, porque é mais fácil trabalhar o plástico do que os tecidos humanos, e portanto ele arranja peças suplentes que se ajustam na perfeição ao seu corpo, sem dificuldades de maior.

Outra diferença é que ele e as suas  peças devem ter um certificado de qualidade que atesta a sua  fiabilidade, enquanto eu tenho que procurar certificar-me a mim próprio que não faço nenhum movimento brusco provocador de nova lesão.


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