Vin Dimas

Setembro 29th, 2010

Existe uma personagem muito negligenciada e injustamente deixada de fora dos livros de enologia e etnografia, mas cuja acção é tão importante que o seu nome deu mesmo origem à designação que hoje damos ao acto de “vindimar”.

As primeiras referências a esta figura remontam ao período clássico e dizem-nos que o primeiro elemento desta linhagem foi gerado numa relação entre dois homens: Vinicius, bravo e possante general da legião romana, e Dimastenes, pastor grego que utilizava a ala esquerda dos campos da ilha de Lesbos.

Deram o nome de Vin Dimas ao seu filho, pela junção das iniciais dos seus próprios nomes, e desde aí surge geracionalmente mais um homem com idêntica génese, com as mesmas características pessoais e a mesma missão.

O actual Vin Dimas, dizem os vindimeiros, é o rebento de uma relação secreta entre um famoso actor de filmes de acção de Hollywood e um antigo jogador de futebol português com aspecto rústico.É nesta altura do ano que mais se menciona o seu nome, já que a sua acção é fundamental para inspirar muitos vindimeiros para a dura tarefa de deitar abaixo esses seres maquiavélicos conhecidos como “uvas”, e é por isso que nesta época, ciclicamente, ouvimos falar de Vin Dimas.

A motivação para a sua missão, adquiriu-a de um dos seus pais, pessoa de índole rural, que do campo extraiu a azeitice que o caracteriza.

Farto de ver imensos terrenos que podiam ser ocupados por oliveiras a ser invadidos por intermináveis hordas de “uvas”, Vin Dimas sempre tentou aniquilá-las no período em que elas estão mais maduras e portanto oferecem menos resistência, entre Setembro e Outubro.

Vin Dimas herdou de outro dos seus pais a coragem e a robustez para enfrentar hectares de perigosas “uvas” sozinho, dizimando milhões delas com as suas próprias mãos ao longo dos anos, e espremendo-as valentemente com os seus próprios pés.

O seu exemplo motivou os vindimeiros a segui-lo, e desde tempos imemoriais que, chegado Setembro, deitam mãos à obra, para ajudar a terminar a tarefa do seu mestre.

A mais dura prova de Vin Dimas, neste momento, é defrontar o descendente mais poderoso do clã rival, o seu arqui-inimigo Gonçalo Uva, jogador da Selecção Portuguesa de Râguebi.

É uma luta desigual, já que a namorada deste último, Carolina Patrocínio, fornece-lhe as já famosas cerejas descaroçadas pela empregada, que lhe dão poderes sobre-humanos.

Independentemente do resultado do eventual duelo, Vin Dimas será sempre a imagem de luta constante pela “desuvização”, e servirá de exemplo a todos os vindimeiros vindouros, que nunca deixarão de combater pela sua nobre causa.

Encontra o teu sapatinho

Setembro 28th, 2010

A partir de hoje, e até dia 9 de Outubro, inicia-se a iniciativa perfeita para quem, não sendo a Cinderela,  quer sentir o prazer de encontrar o sapato perfeito a um preço de sonho.

A Zilian escondeu nas cidades de Braga e Lisboa centenas de sapatos, em ginásios, discotecas, spas, cabeleireiros, enfim, em todos os sítios habitualmente frequentados por senhoras.

O objectivo é que as madames que encontrem esse sapatinho da nova colecção Outono-Inverno se dirijam a uma loja Zilian para ir buscar o outro, ficando assim com 50% de desconto sobre o valor do par.

Podem trocar o modelo e o número se assim o entenderem, o que torna tudo ainda mais apelativo.

Não é um conto de fadas, nem é uma oferta de descabelar ninguém (até ver), mas não deixa de ser uma iniciativa de marketing engraçada e um desconto simpático para quem encontrar esses sapatos.

Vá lá meninas, toca a olhar para debaixo das mesas dos cafés e levantar as saias às peixeiras, que pode ser que esteja lá o vosso.

A morte da Bezerra

Setembro 27th, 2010

Há muita gente que passa a vida a pensar na morte da Bezerra.

E isso, mais tarde ou mais cedo, vai acabar por lhes afectar o negócio.

Venha o Outono… democrático

Setembro 24th, 2010

Hoje acordei com a esperança que o primeiro dia de Outono trouxesse vontade de actuar sobre a nossa democracia.

Uma árvore democrática que se preze é, por definição, de folha caduca, deixando cair as suas folhas velhas regularmente para permitir o surgimento das verdes folhas, sinal de vitalidade e pujança.

Ao olhar para o aspecto da nossa árvore, cujos frutos são cada vez mais escassos e de pior qualidade, fica a certeza de que é indisfarçável a doença e que é evidente que quanto mais altas estão as folhas mais escuro é o seu aspecto, acastanhado a um ponto putrefacto, da cor do dejecto em que se vai tornando a nossa justiça, a nossa educação, a nossa economia, a nossa saúde.

Então é tempo de caírem, e o Outono deveria servir para isso.

No entanto, parece-me que a ordem natural das coisas está alterada por um qualquer bicho que se alojou na árvore e que lhe mudou a essência, encarregando-se de tornar perene a folha e com essa perenidade deixar apodrecer todos os seus ramos.

A raiz, a base dessa árvore, continua a ser adubada com facilitismos e subsídios ocos, numa terra de falsas novas oportunidades, que o encaminham para um enterrar constante num sub-solo de mediocridade, inconsciência e indiferença, perdendo cada vez mais força para dar nova vida à árvore.

Se o Outono não actua naturalmente, ao menos que surgisse algum jardineiro que a podasse e retirasse essas folhas castanhas e pretas, em vez de continuar esta árvore a ser tratada por uma qualquer máquina partidária com o sensor óptico danificado, que se recusa a ver a verdadeira cor da folha e se limita a verificar que as folhas nasceram vermelhas, laranja, rosa ou azuladas, deixando-as eternamente a apodrecer nos centenários ramos, assistindo letargicamente ao lento e penoso definhar da árvore.

Eu gostava muito que chegasse esse Outono democrático, e não fazia mal nenhum que viesse acompanhado de umas boas castanhadas!

Nubrella

Setembro 22nd, 2010

Desde pequenino que ouço dizer que Braga é o “penico do céu”, porque é, presumo eu, habitual que nesta cidade chova de forma intensa e frequentemente.

Parece que quem constrói aqui e/ou tem a obrigação de manter esta cidade habitável, ou nunca foi pequenino ou ouve muito mal, e vai daí a cidade inunda com uma facilidade surpreendente, como aconteceu a semana passada.

Habitante de Braga que sou, tornei-me bastante sensível a esta temática, e por isso acho importante que, agora que nos aproximamos da época das chuvas, estejamos bem equipados e, se possível, com as mãos desocupadas para desentupir rapidamente um bueiro de uma rotunda ou ajudar a empurrar um carro submerso num qualquer parque de estacionamento público.

É por isso que fico contente por saber que há agora um objecto que permite essa mobilidade de movimentos, mantendo ao mesmo tempo a parte superior do corpo protegida da chuva.

Nubrella é uma novidade que desconheço se já é vendida em Braga, mas que será certamente um sucesso quando estiver ao alcance dos ensopados bracarenses.

Faz as pessoas ficarem parecidas com o Buzz Lightyear e não protege o resto do corpo, mas há que admitir a extrema mobilidade que este artefacto permite.

É também bastante útil para fumadores que pretendam manter-se incógnitos, já que permite a formação de uma nuvem à volta da cabeça, que a oculta.

Quem não gostou desta invenção foi a cantora Rhianna, que alega que é bastante difícil dar guarida a alguém, e deixá-la permanecer dentro da sua Nubrella.