O nosso Mundial… na minha modesta opinião

Junho 30th, 2010

Ponto prévio: não vou falar de Carlos Queiroz, nem das suas opções ou tácticas.

Acho que este mundial esteve longe de ser espectacular, mas também não foi vergonhoso como muita gente anda a dizer.

Vergonha foi, por exemplo, 1986 ou 2002.

Neste campeonato fizemos, quanto a mim, um jogo francamente mau contra a Costa do Marfim, um jogo espectacular contra a Coreia do Norte e depois jogamos com as duas únicas selecções que estão à nossa frente no ranking da FIFA, dois dos maiores candidatos à conquista do troféu, empatamos com um e perdemos pela margem mínima com o outro.

Nas duas situações foram criadas oportunidades que nos permitiam passar para o outro lado da ténue linha que separa o insucesso da glória neste desporto, batemo-nos de igual para igual, mas não tivemos a pontinha de sorte ou a eficácia necessária para concretizar.

E isso faz parte do futebol.

Marcamos sete golos em quatro jogos, o que é aparentemente positivo, mas infelizmente foram todos marcados no mesmo jogo, o que quer dizer que em três jogos ficamos em branco, e isso não pode acontecer a quem aspira a ir longe na prova.

Podíamos ter feito muito melhor, não tenho dúvidas, mas acho que foi uma participação honrada, onde os jogadores se bateram com dignidade e de onde saímos com uma imagem globalmente positiva.

Falando dos jogadores, começo por aquele que mais me intriga e que voltou a ser, para mim, uma enorme desilusão.

Custa-me a perceber que um jogador que rendeu tanto no Manchester United, que rende tanto no Real Madrid, no merchadising, publicidade e revistas, não consiga render na selecção nacional, e que o único golo que marcou em quase dois anos na selecção lhe tenha surgido à traição, por trás, depois de a bola o ter empurrado pelas costas e dado um calduço na nuca.

Outros houve que merecem, quanto a mim, menções honrosas pelas suas actuações.

Fábio Coentrão, Raúl Meireles, Ricardo Carvalho e Tiago, foram jogadores de entrega, velocidade, capacidade técnica e classe acima da média, e por isso acho que merecem destaque pela positiva.

Deixo o melhor para o fim, aquele que foi a meu ver o melhor jogador da selecção nacional durante este campeonato, talvez o que menos mereceu esta eliminação: o guarda-redes Eduardo.

Esteve sempre impecável, mostrou a quem tinha dúvidas que é um guardião de nível mundial, que com as suas capacidades, a sua humildade e profissionalismo irá muito longe e que já merece outros voos, num grande campeonato europeu.

Agora resta-nos esperar que a análise interna da nossa participação no mundial, no seio da federação, seja pragmática, objectiva e construtiva, para gerar acções que permitam que façamos melhor no apuramento para o Europeu.

E que a final seja Brasil-Espanha, para termos a desculpinha da praxe.


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