Limpar o Everest

Abril 30th, 2010

Há pouco tempo o Projecto Limpar Portugal reuniu centenas de portugueses na recolha de lixos em espaços naturais.

Lá por fora também há necessidade de limpar, mesmo na mais alta montanha do Mundo, o Everest, e isso tem sido feito com alguma regularidade.

O que é notícia é que desta vez uma expedição de 20 sherpas vai fazer uma operação de limpeza acima dos 8.000 metros, numa área conhecida como a “zona da morte”.

Os alpinistas esperam encontrar lixo datado da primeira subida ao Everest registada, por Edmund Hillary em 1953, recolher cerca de duas toneladas de detritos e – pasme-se – esperam também resgatar corpos de outros alpinistas que não resistiram à dureza da subida desta montanha.

É nobre e muito difícil esta tarefa e portanto desejo-lhes muito sucesso e que corra tudo conforme o esperado.

Pessoário

Abril 28th, 2010

Ficar uns minutos num centro comercial, por volta da hora do almoço com a área de alimentação completamente cheia de pessoas, simplesmente a observar a multidão, que pela sua dimensão e dinâmica encobre este acto de contemplação, é um exercício que me dá prazer.

As grandes concentrações de gente são para mim o sítio ideal para observar e tentar perceber a sociedade, ver como as pessoas agem, reagem e interagem, o local onde é possível captar e conhecer novo tiques, traçar perfis com base num instantâneo, imaginar o que terá ajudado a formar cada estilo, assistir ao desenvolvimento de várias tendências, são o mote para parar um pouco e reflectir sobre o que me rodeia.

Era engraçado que estas aglomerações de gente pudessem ser replicadas num observatório oficial de pessoas, que poderia ser chamado de Pessoário, um espaço onde fosse possível observar de forma organizada e sistematizada estas massas.

Tinha que ser um espaço em que as pessoas andassem livres e sem noção de que estavam a ser observadas, que nada tivesse a ver com o fenómeno Big Brother, para não se perder a espontaneidade, que tantas vezes nos trás autênticas pérolas sociológicas.

Anualmente as escolas organizam visitas de estudo a oceanários, fluviários, zoológicos, quintas pedagógicas, museus ou planetários, e eu acho muito bem, porque contribuem para a aquisição de conhecimento dessas crianças, mas eu acho que, se devidamente sensibilizados e orientados para isso, os alunos poderiam tirar brilhantes ensinamentos sociológicos e antropológicos das grandes concentrações de gente.

Como é impossível o conforto de o fazer num sítio único, acho que é importante procurar as grandes aglomerações para fazer este exercício de vez em quando.

Incentivar os mais jovens ao exercício de observação comportamental em sítios como um estádio de futebol, festas populares e romarias, feiras, centros comerciais, comícios, concertos, queimas das fitas, peregrinações, parques de lazer ou praias, e posterior reflexão e análise sobre o que viram, seria um importante contributo para o seu desenvolvimento pessoal, para aumentar o espírito crítico, para discernir e descodificar comportamentos e formas de estar na vida, para apurar o sentido de cidadania.

Eu continuarei sempre a fazer isto quando vou para um sítio muito movimentado:

Paro, escuto e olho… e fico atento, e com os sentidos bem alerta, porque vai ser de certeza muito bom.

Pinocada

Abril 26th, 2010

Pai Tunal

Abril 23rd, 2010

Ainda a propósito do XX FITU Bracara Avgvsta do fim-de-semana passado, ainda não me tinha pronunciado sobre um dos seus pontos altos, a actuação dos fundadores da Tuna Universitária do Minho.

Sendo eles responsáveis pelo nascimento da Tuna, são uma espécie de pais tunais das gerações que se seguiram, e isso fez-me ver que é possível estabelecer uma analogia entre eles e outra figura querida do imaginário de todos nós, o Pai Natal, com a diferença maior a residir no facto de o Pai Natal não existir, mas os “velhinhos” terem provado (como se preciso fosse) que existem e estão em muito boa forma.

Vamos então imaginar uma figura, o Pai Tunal, que representa os nossos valorosos fundadores, e vejamos os paralelismos que podemos estabelecer com o Pai Natal.

Desde logo, salta à vista que são cada vez mais parecidos fisicamente: os cabelos grisalhos do Pai Tunal tendem a ser cada vez mais brancos e a proeminente barriga do Pai Natal já não parece tão grande quando comparada com a do outro actualmente.

Ambos têm também a tendência a distribuir coisas pelos mais novos: o Pai Natal distribui prendas às crianças que se portam bem enquanto o Pai Tunal distribui “cachaços” pelos caloiros que se portam… bem ou mal… não interessa… o que interessa é que o “cachaço” seja dado na devida altura.

O meio de deslocação do Pai Natal é um trenó voador, puxado por renas, mas o Pai Tunal desloca-se de carro, sendo o ponto em comum o facto de  o Pai Tunal ser avistado muitas vezes com uma grande “carroça”.

Os duendes ajudam o Pai Natal nas suas tarefas, enquanto o Pai Tunal tem o fiel caloiro que está lá para executar o serviço físico que ele não pode fazer.

Tanto um como outro gostam de bebidas gaseificadas, optando o Pai Tunal pela cerveja em abundância em detrimento da Coca-cola de que o Pai Natal tanto publicita.

O Pai Natal, diz a lenda, entra pelas chaminés para maravilhar as crianças, o Pai Tunal entra pela parte de trás do palco para encantar o público.

Ambos usam ou usaram pompons, o Pai Natal traz um pompom branco no barrete, e o Pai Tunal já usou um  de côr vermelha no seu traje.

Os pedidos de prendas chegam ao Pai Natal por carta e ao Pai Tunal também se pedem coisas, normalmente músicas, mas das mais variadas formas.

Existem também diferenças, como o facto de o Pai Tunal cantar bem e o Pai Natal só conseguir balbuciar um “oh oh oh”  monocórdico, mas são ambos personagens simpáticas, que gostam de transmitir alegria e é por isso que não nos esquecemos deles.

Um forte abraço aos dois!

Patrulha Especial de Intervenção com Difusão de Odor

Abril 21st, 2010

Vocês já assistiram de certeza à cena típica em que está um grupo reunido a falar, normalmente disposto em rodinha, até de repente algum elemento se distrair e soltar um gás mal cheiroso por via rectal, gerando o afastamento de toda a gente e criando um enorme espaço vazio.

Apesar da enorme má educação e falta de controlo do esfíncter desse indivíduo, o cidadão observador não deixará de constatar que esta acção se revela como um dos mais eficazes meios para dispersar grupos de pessoas.

Em manifestações de rua é normal as forças da ordem recorrerem a bastonadas, gás lacrimogéneo ou jactos de água com alta pressão para dispersar a população, mas todos esses métodos poderão ter graves efeitos à posteriori, pelo que, o uso de gases naturais com mau cheiro poderiam ser uma alternativa bastante eficaz e com menos consequências futuras.

Parece que até já estou a ver a Patrulha Especial de Intervenção com Difusão de Odor (P.E.I.D.O.) a entrar em acção e os manifestantes todos a fugir e a gritar “EEEiiii! Foi o Sargento Tenório!”, apontando o dedo indicador de uma mão furiosamente para o agente em questão, enquanto com a outra mão tapam as narinas, e logo em seguida, já com o grupo disperso e o ambiente mais calmo, alguém questionar  em forma de desabafo “F0&@-$e Sargento! O que é que comeu hoje?”.

Claro está que estes agentes especializados teriam que se submeter, como muitas outras forças especiais, a um rigoroso regime alimentar, à base de feijoada, castanhas, couves, ovos, donuts e cerveja, para poderem ter o seu poder dissuasor elevado aos níveis de repulsa que a sua difícil missão exige.

Para melhorar a sua performance seria conveniente que o seu fato de trabalho fosse aberto na parte traseira das calças, para minimizar o atrito e permitir a correcta dispersão do gás libertado.

Dado o risco de explosão deveriam também ser protegidos por um seguro que assegurasse o seu futuro e o da sua família em caso de acidente e deviam ser assinalados com um autocolante bem visível, estando-lhes vedada, obviamente, a entrada em edifícios públicos fechados, como os parques de estacionamento ou os centros comerciais.

Esta força especial faria seguramente escola, e não tenho dúvidas que seria rapidamente replicada pelas forças armadas, dado o seu enorme potencial em cenários de guerra, principalmente para tirar das grutas os inimigos que as usam como esconderijo e para melhorar os resultados nos interrogatórios aos prisioneiros de guerra.