Quem quer alheira?

Fevereiro 15th, 2010

Já aqui falei anteriormente do estranho fenómeno de dar aos alimentos sabores que não lhe são característicos, mencionando nessa altura o exemplo das batatas fritas.

Quem fala das batatas fritas poderá também falar dos sumos com sabores cada vez mais originais, descobrindo os méritos do Gingko Biloba, da Erva-mate ou do Hibisco, e de outro tipo de produtos que preserveram na introdução de sabores que fujam ao tradicional.

Mas o que constatei este fim-de-semana é que já se foi mais longe um bocadinho nessa demanda de sabores originais e isso já afectou as tão tradicionais alheiras transmontanas.

Com muita surpresa encontrei – e adquiri para prova porque fiquei curiosíssimo – numa grande superfície comercial, alheiras de bacalhau, presunto, broa de milho, marisco, vegetariana e – a mais surpreendente – pato com laranja!

Fiquei com vontade de sugerir também a alheira de porco preto e de leitão da bairrada, que também devem dar produtos muito bons, mas já que estamos numa de originalidade, porque não fazer ementas regionais integralmente adaptados ao contexto “alheiral”?

Para abrir o apetite deixo a sugestão da ementa minhota composta por uma alheira de caldo verde, seguida de uma alheira de arroz de lampreia para primeiro prato e uma alheira de rojões à moda do Minho acompanhados por uma alheira de papas de sarrabulho como segundo prato.

Para terminar, fechar em beleza, com uma alheira de pudim abade de Priscos ou uma alheira de laranjas de Amares.

Tudo isto bem regado com uma alheira de vinho verde da região.

Aproveito para apelar à vossa reflexão sobre a velocidade com que deve ser dita a frase “quem quer alheira?”, porque pode adquirir uma sonoridade que dê origem a trocadilhos fáceis e brejeiros, que poderão não se coadunar com os valores defendidos por este blogue.


Trackback URI | Comments RSS

Leave a Reply

Name

Email

Site

Speak your mind