Adepto vibrante, mesmo sozinho

Fevereiro 22nd, 2010

Ontem, por circunstâncias várias, vi um jogo de futebol com uma intensidade e carga emocional acima da média numa sala de restaurante vazia, completamente sozinho.

Gostava de ter filmado a cena.

Um tipo sozinho numa sala gigantesca a olhar para uma televisão, embrenhado e entregue a um jogo que o leva a levantar-se e sentar-se várias vezes, a gritar constantemente com o aparelho televisivo, a dar instruções para dentro do campo, a chamar nomes aos vários participantes do jogo quando as intervenções não são do seu agrado, a encorajar os atletas e a soltar palavras de incentivo nas boas iniciativas, a criticar cada lance como se fosse capaz de fazer muito melhor, a esticar-se para ver se com a pontinha do sapato mete a bola tentando com isso ajudar o verdadeiro jogador, a vibrar intensamente, como se estivesse dentro do estádio e a comemorar efusivamente cada golo, com direito a pulos e braços no ar e todo o folclore natural nessas ocasiões.

É um espectáculo digno de ser visto.

Apercebi-me disso porque a sala fazia eco e havia o meu reflexo nos vidros, portanto eu ia acompanhando a minha própria performance com alguma estupefacção.

Tolinho, dirão muitos.

Apaixonado, digo eu, por um desporto que sinto e vivo desde muito pequenino de uma forma muito intensa.


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