The Invention of Lying

Janeiro 14th, 2010
Estar de férias em Janeiro, com mau tempo e não podendo ir para a Jamaica, significa que restam poucas opções para ocupar o tempo que não passem por… ver muitos filmes.
E é isto que tenho visto: The Soloist; Miracle at St. Anna; Mesrine – L’instinct de mort; Mesrine – L’ennemi public nº 1; Europa; The Private Lives of Pippa Lee; Public Enemies; Un prophète; Sherlock Holmes.
Na generalidade são filmes de boa qualidade e mereceriam talvez mais algumas linhas, mas no meio de tanta coisa, não me apeteceu estar sempre a escrever sobre tudo o que vi na última semana.
Tenho no entanto que abrir uma excepção para um filme que acho que merece esse destaque, que ansiava há muito para ver e que não defraudou em nada as minhas expectativas.
O grande mestre da comédia Ricky Gervais leva-nos, no filme The Invention of Lying, para um mundo onde todos dizem somente a verdade.
As situações mais banais tornam-se hilariantes, quando se está num mundo em que existe a certeza inquestionável de que todos falam verdade, não é sequer conhecido o conceito de mentira, e em que todos expressam com sinceridade tudo, absolutamente tudo, que lhes está a passar pela cabeça.
Muitos dos nossos dogmas, preconceitos e hábitos sociais são desmontados nesta comédia, que não é uma comédia de rir à gargalhada, mas que nos faz ficar com um sorriso na cara do princípio ao fim.
A história conhece uma viragem quando a personagem de Ricky Gervais (Mark Bellison), inadvertidamente, diz uma mentira.
A partir daqui a sua vida muda, porque começa a dizer “coisas que não são assim” e torna-se sem querer numa espécie de Messias.
Não querendo estragar nada, digo-vos só que a cena em que ele explica como é a vida depois da morte, a uma população ansiosa por ter essa informação, vai ficar na minha memória por muito tempo.
Desde Life of Brian que não via alguém trabalhar tão bem, humoristicamente, o sempre delicado assunto da fé.

Não vale só por isso, mas porque também tem uma crítica social muito perspicaz e inteligente e nos mostra o quão hipócritas somos no dia-a-dia e quantas vezes mentimos, nas mais variadas situações e mesmo que por motivos louváveis.
Em suma, é um filme muito bem disposto e digno de ser visto.
E não estou a mentir.

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