A Guerra dos Saldos

Dezembro 28th, 2009
Depois da época de paz, amor e harmonia que se vive no mundo por altura de Natal, vem a abertura oficial dos saldos de Inverno.
Custava muito manter o espírito natalício, custava muito continuar a viver sem hostilidade e belicismo?
Aparentemente sim.
E por isso é que se fazem saldos.
Toda a gente sabe que a indústria da guerra é a mais rentável do mundo, suplantando a venda de drogas e o negócio do sexo pago, e é por isso que o comércio inventou os saldos.
Os comerciantes inspiraram-se no modelo de sucesso do mercado da guerra e decidiram incutir na população o prazer pela confrontação, incentivar o guerreiro dentro de cada um de nós a travar a luta desenfreada pela melhor peça ao melhor preço, fazem fluir nas pessoas a adrenalina de uma batalha em que objectivo é comprar muito e gastar pouco, como se os artigos fossem inimigos tornados reféns e o dinheiro as balas escassas que devem gerir com parcimónia.
Há até quem já assuma frontalmente que só compra em período de saldos, não pelo preço baixo das coisas, mas porque só dá gozo comprar se o próprio acto da compra constituir um desafio.
É o salde-se quem puder!
E é aqui, minhas amigas e meus amigos, que vemos que as mulheres não tardarão a conquistar o mundo.
São verdadeiras gladiadoras dos tempos modernos, transformando as lojas em autênticos coliseus romanos, onde só uma poderá sair como verdadeira vencedora.
Analisam e escolhem os alvos com rigor e estabelecem o plano de ataque com meses de antecedência.
Agarram-se ao objectivo e lutam por ele até às últimas consequências, evitando, ágeis, todas as possíveis opositoras.
Mostram a sua persistência, não se dando como vencidas e correndo de imediato para outra superfície comercial para ver se conseguem dominar esse território.
Conseguem passar dias inteiros nesta luta, muitas vezes descurando a alimentação ou a vida familiar, resistindo às adversidades loja após loja.
É tão importante esta guerra que travam que é usual vê-las depois a mostrar umas às outras, qual veterano de guerra, o espólio recolhido, gabando-se do pouco que tinham para gastar para conseguir esses objectivos, das manobras que realizaram e dos sacrifícios que tiveram de fazer e lembrando com saudade guerras de anos anteriores em que foram bem sucedidas.

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