Autárquicas e imobiliárias

Outubro 7th, 2009
Quem conhece Braga sabe que a construção e o imobiliário estão sempre na berlinda, no centro da discussão política e das mais animadas conversas de café.
O lobby da construção civil é fortíssimo, o poder dos empreiteiros evidente e por isso mesmo a cidade é organizada (ou não) respeitando os interesses destes, passando ao lado de conceitos fundamentais para uma cidade moderna e em crescimento como o planeamento, o urbanismo, a sustentabilidade ou a qualidade de vida.
Há no entanto agentes que aparecem no fim da cadeia de valor do mercado imobiliário a quem, a meu ver, não é dado o devido destaque, principalmente pela classe política (reparem que usei a palavra “cadeia” numa expressão económica que nada tem a ver com o sítio onde alguns dos mencionados neste post deviam estar).
Eles são, no entanto, muito mais importantes do que se imagina, não só pelo que vendem – o que é fundamental para que o dinheiro não pare de circular – mas porque são verdadeiras cobaias na arte de comunicar em outdoors.
E esta é também a verdadeira razão por que os políticos não lhes dão o devido destaque.
Neste período de campanha autárquica torna-se evidente onde os políticos se baseiam para o seu material de comunicação.Itálico
Por todo o lado se espalham cartazes, bandeiras e outdoors com a cara dos políticos, misturando-se com os habituais outdoors das redes de agentes imobiliários.
Os suportes, a localização dos mesmos, a paleta cromática, as poses… em tudo os políticos mimetizam os vendedores de apartamentos.
Eu acho que devíamos romper de uma vez por todas com a hipocrisia instalada e assumir que os partidos políticos em Braga deviam ser substituídos por redes de agentes imobiliários.
No nosso boletim de voto autárquico, a bem da verdade e transparência deviam aparecer a Re/Max, a La Fôret, a ERA ou a Habitace, por exemplo.
A linguagem é deles, quem movimenta o mercado que gere a cidade são eles e – haja simpatia – sorriem nas fotografias.
Talvez assim a abstenção diminuísse.

Chuva nas férias

Outubro 7th, 2009
Os índios faziam danças para chamar a chuva.
Há quem faça orações e missas para pedir essa benção dos céus.
Gastam-se milhões em sofisticados sistemas de regadio para minimizar os efeitos da seca.
Investiga-se arduamente para que a ciência ajude a interferir no ciclo da água e se consiga “fabricar” chuva sempre que necessário.
Há ainda quem, em desespero, ponha virgens nuas a arar os campos para levar os deuses a fazer chover.
Tendo em conta a pontaria que estou a ter este ano, proponho-me juntar o útil ao desagradável, pondo à disposição de todos os territórios áridos do Mundo o meu dom de atracção de pluviosidade durante o período de férias.
Basta que me contactem com alguma antecedência para que eu possa marcar férias, que assumam os custos da viagem para esse local e as despesas durante a estadia.
O resto acontecerá, certamente, com muita naturalidade.
Ainda assim, e como tenho muito bom clima dentro da carola, as férias correm bem.