Descriminações e moralismos

Setembro 20th, 2009
Já alguma vez repararam naquelas pessoas que dizem frases do género “gosto muito de bonecarrrosas”, “vendi dois carrorrroxos”, “tás a olhar prárrraparigas?” ou “encontrei no campo três homemrrrudes” , enrolando bem a língua nos r’s intermédios, fazendo a língua trrremer?
Não gosto nada de ouvir este tique verbal… arrepio-me sempre com a acentuação dos r’s.
Além disso, acho que é uma descriminação enorme para com os s’s, preteridos e sufocados, quase que torturados.
Quem utiliza muito esta forma de falar é o Dr. Francisco Louçã, o que não é nada coerente com o seu discurso anti-descriminatório e anti-tortura.
Mais grave que este fait-divers linguístico é quando a descriminação acontece de facto, tal como aconteceu numa visita de Louçã ao mercado municipal de Alcobaça.
Afinal nem todos são iguais nem merecem o mesmo tipo de tratamento e por isso, depois de falar com vendedores de fruta, legumes ou pão, evitou ostensivamente as peixeiras.
Pode parecer um pormenor, mas, para quem ataca ferozmente todo o tipo de exclusões e descriminações, não deixa de ser uma demonstração clara de que é feito da mesma massa que a maior parte da nossa classe política, resvalando um bocado do pedestal moralista em que normalmente se põe.
Quando convier e elas estiverem a fazer uma manifestação contra o governo ele lá estará para as “apoiar”.

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