Cinema Oriental

Setembro 11th, 2009
Vi recentemente três filmes de origem oriental: um indiano, um israelita e um paquistanês.
Não o fiz de forma aleatória ou porque tropecei neles, mas porque li boas críticas sobre este filmes e então fui procurá-los.
São filmes muito diferentes, todos foram excelentes confirmações das críticas que tinha lido, e vou começar a falar deles por ordem crescente de qualidade, na minha perspectiva.
Dasvidaniya é um filme sobre uma pessoa com uma vida extremamente monótona, sempre subjugado, sem vícios, prazeres ou amores, que rege a sua vida por um bloco onde aponta as tarefas que tem a cumprir.
Com a descoberta de um cancro do estômago em fase avançada e sendo o prognóstico de apenas três meses de vida, ele decide cumprir dez tarefas antes de morrer.
É um filme interessante, cheio de emoção mas bem humorado onde se vai percorrendo de forma prazenteira o cumprir das tarefas do indiano Amar Kaul antes de morrer.
Vals im Bashir é um falso documentário, um filme de animação magnífico, que relata a procura de um realizador de cinema pelas suas memórias da guerra israelita com o Líbano.
Assistimos então à sua tentativa de reconstrução do seu percurso enquanto combatente a partir de um pesadelo que teve, partindo daí para entrevistas com amigos e antigos combatentes, sempre tentando “juntar as peças” para perceber qual foi o seu papel nessa guerra e, principalmente, qual a sua intervenção nos massacres de Sabra e Chatila.
É um filme excelente, com uma forma invulgar , desapaixonada e muito particular de mostrar o conflito e que nos deixa pormenores perturbadores sobre a violência extrema que aí se verificou.
Por fim, o filme desta “trilogia” que mais me marcou.
Khuda Kay Liye mostra de forma assustadora até onde pode ir o fanatismo religioso.
Desta vez não se fala de terrorismo global, mas sim das implicações que a religião seguida com extremismo tem para uma família.
O argumento mostra-nos o conflito entre muçulmanos fundamentalistas e liberais, que leva um pai a raptar uma filha e entregá-la a um primo fundamentalista, casando-a à força com este e mantendo-a numa aldeia remota do Afeganistão, para que ela não desvirtue a linhagem paquistanesa e muçulmana, casando com um inglês.
O filme mostra-nos também a transformação do já falado primo em fundamentalista islâmico, facto que o leva a abandonar o duo musical que tinha com o irmão, no pico da notoriedade mediática e da fama.
Tudo isto em nome de Deus.
É um filme muito forte, onde são postos em causa os valores da religião e familia e são apontadas várias contradições inerentes a qualquer tipo de fundamentalismo, expondo a violência extrema para quem opta por não seguir a linhagem mais fundamentalista do Islão.

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