Alfândega da Fé

Junho 28th, 2009
De onde virá o nome da cidade de Alfândega da Fé?
Eu julgo (e não deverei andar longe da verdade) que em tempos idos era a esta cidade que todos os que entrassem no nosso País, e fossem seguidores de outras religiões que não a Católica Apostólica Romana, se deveriam dirigir para lhes ser tributado um imposto alfandegário por importação de fé estrangeira.
Todos os muçulmanos, hindus, budistas, evangélicos brasileiros, mórmons, cientologistas e afins, que entrassem em Portugal eram encaminhados para esta cidade para aí serem inquiridos pelos serviços aduaneiros e ser calculado o valor a pagar.
O valor seria calculado pela quantidade de fé importada, traduzida no número de pessoas do agregado familiar.
Italianos e espanhóis tinham uma certa facilidade, então, de livre circulação no nosso País.
Quem não pagasse este imposto veria a sua fé retida na Alfândega e não poderia rezar ou acreditar noutro Deus enquanto não pagasse o imposto alfandegário.
A fé retida era depois vendida a preços baixos passado um ano, se os seus legítimos crentes não a reclamassem.
Famílias inteiras, como os Nabeiro, fizeram fortuna vendendo cá fé.
Os descendentes dos funcionários alfandegários, que eram conhecidos como “os senhores da Fé”, herdaram a alcunha, como é o caso de Maria da Fé, conhecida fadista nacional.
Desde que Portugal se declarou um estado laico, este imposto deixou de fazer sentido e os serviços foram desactivados, mantendo-se o nome da cidade inalterado para não gastar dinheiro na reformulação de todo o economato da câmara municipal.

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