Futebol no estádio

Dezembro 22nd, 2008
Ontem vi um jogo de futebol, num estádio quase cheio e onde foram feitos muitos remates ao lado da baliza do visitante.
Estes remates originam (para quem não está familiarizado com as regras do futebol) um pontapé de baliza para o visitante.
Já há alguns anos que se assiste nos nossos estádios a um fenómeno curioso quando isto acontece.
O guarda-redes põe a bola na linha da pequena área e logo começa um burburinho por trás da baliza.
Ouve-se um tímido ” ooooooooooo…”
O guardião começa a ganhar um pouco de balanço e aumenta a ligeiramente a intensidade do contínuo “oooooooooooooooooooo…”.
Inicia então a sua corrida em direcção à bola, e aí já todo o estádio está ciente do que vai acontecer e juntasse ao coro, aumentando progressivamente o volume do “OOOOOOOOOOOOOOOOO…”.
O guarda redes pontapeia a bola no auge desse côro uníssono, que a plenos pulmões grita: “OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO… FILHO DA P**A!!!”.
E depois, como se de uma surpresa se tratasse, invariavelmente se ouvem risos na bancada.
Risos automáticos, jocosos, boçais.
Confesso que já achei piada a isto, e me ri também, juntando-me ao coro.
Hoje em dia, vejo-o como um sinal de falta de civismo e desportivismo e tenho pena que assim seja.
Tenho pena que não evoluamos o nosso sentido de fair-play, à imagem do que se passa, por exemplo, nos estádios ingleses.
Tenho vergonha de ouvir da bancada do clube de que sou adepto, cânticos ofensivos contra outros clubes e pessoas, utilizando linguagem imprópria para quem deseja levar os mais pequenos aos estádios, ao invés de apoiarem salutarmente e incentivarem a sua equipa, com cânticos positivos.
Em relação ao adepto de futebol em geral, revolta-me a falta de lucidez, a parcialidade, a memória de peixe, a tacanhez, a mesquinhice, a falta de respeito e civismo.
É sempre perigoso generalizar e eu também sou adepto de futebol, apaixonado, e tenho, portanto, a minha quota de parte de responsabilidade.
Mas estou a mudar e sou hoje em dia mais sereno e respeitador, e sonho um dia levar um filho meu ao estádio sem ter que tentar justificar determinadas atitudes de outros, sem medo de alarvidades, violências e faltas de civismo e educação.
Estou a sonhar alto não estou?

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