Vergonhas de menino

Novembro 24th, 2008
Já vos aconteceu de certeza!
É típico dos nossos pais, e, pior, tem tendência a ser um hábito nosso também: falar dos filhos como se eles não estivessem lá.
A minha mãe ainda hoje me faz isto!
Se encontra alguém conhecido começa a falar de mim (comigo ao lado) como se eu não estivesse lá.
Do género “Ele gosta muito é de amarelo” e eu ao lado a pensar “Eu detesto amarelo!!!” e a fazer um sorriso da mesma cor para a amiga da minha mãe, roendo-me todo para não a desmentir.
Pior é quando se começa a falar de doenças.
Não deve haver nada mais constrangedor para um filho do que ouvir a exposição detalhada dos seus recentes problemas diarreicos em frente de uma pessoa amiga dos pais que não conhece de lado nenhum.
E frases do género “Este também tem a mania dos futebóis, mas eu já lhe disse que se não estuda não há futebol para ninguém”, ou “O meu também anda meio saído da casca, mas se se põe a armar muito vai ver o que o espera!”, ou ainda o clássico “Ele agora tá melhorzinho, mas tinha a cara coberta de espinhas!”.
Agora são coisas mais do género “Nunca mais casa, não percebo”, ou “Nunca mais me dá um neto”, ou “Eu já lhe disse para mudar de emprego, ele tem é que se pôr fino”.
Conseguem-se lembrar da vergonha que isso causava (ou causa)?
Como é que se reage a isto?
Por favor, quando forem grandes poupem estes embaraços aos vossos filhos.
Deixem que eles falem.
Se eles não quiserem dizer nada, é sinal que há coisas demasiadamente pessoais para serem discutidas com completos desconhecidos.
Combinado?

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