“Bracarismos”

Novembro 30th, 2008
Quando me perguntam o que gosto mais na minha cidade, eu respondo muitas vezes que é o centro histórico, o Theatro Circo ou o Bom-Jesus.
É mentira.
Aquilo que realmente gosto e que torna esta cidade diferente, são as pessoas de Braga e as suas expressões idiomáticas ou a forma de falar.
Identifico-me automaticamente com alguém que se dirije ao meu grupo perguntando “Visteis o Braga ontem?”.
Da mesma forma, é usual sentir-me em casa quando me relatam uma desventura qualquer que começou “à hora do meio-dia” e cujo protagonista é um qualquer “térinho” que se cruzou com um “begueiro” qualquer.
O conforto de alma da palavra “begueiro”, quando bem aplicada, é indescritível para quem não a ouve regularmente desde a sua meninice.
Neste momento sou capaz de não me lembrar de todos os “bracarismos” que me enchem os ouvidos e a alma, mas vou concerteza voltar a falar deles.

Talento prematuro

Novembro 30th, 2008
Este rapazinho só tem 6 anos.
É indubitável o seu talento e a forma exímia e muito acima da média como lida com a bola.
O potencial está lá e é enorme, mas para se tornar um novo Zidane falta muito sumo, naturalmente.
O que me mete impressão é que este menino já perdeu o direito à sua infância precisamente por causa deste talento.
Já tem uma bolsa da Federação Francesa de Futebol e tem o Real Madrid e o Chelsea a disputá-lo.
Qualquer dia começam a contratar embriões ou espermatozóides com talento.

Jogador mais popular do Mundo

Novembro 28th, 2008
Mohamed Aboutreika foi eleito pela Federação de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) o jogador mais popular do Mundo.
Eu sei que não era necessário, porque este rapaz é mesmo extremamente conhecido, mas aqui fica a sua foto.
Não vá o acaso fazer-vos cruzar na rua com esta celebridade.

Festival da Tibórnia

Novembro 28th, 2008

Tenho um amigo que usa a expressão “grandes tibórnias” para designar apêndices mamários de grande volumetria.

Qual não foi o meu espanto quando ouvi a notícia que existia, no Fundão, o Festival da Tibórnia, que já vai na sua quinta edição.
De uma desilusão breve, por verificar que não era nenhuma espécie de festival erótico, passei para uma grande surpresa, ao verificar que a tibórnia é afinal um prato típico que consiste em “empapar” um naco de pão em azeite, polvilhando em seguida a fatia com açúcar, podendo ser adicionados elementos como grão ou bacalhau.
Esse estado de surpresa aumentou quando, investigando mais um bocado, deparei com a notícia de que são confeccionados pratos usando ouro!
Estamos a ficar muito sofisticados na cozinha tradicional.

Tráfico de Seres Humanos

Novembro 25th, 2008
O Governo aprovou no passado mês de Outubro a criação do Observatório do Tráfico de Seres Humanos.
Fiquei na dúvida se isto não seria um nome pomposo para encobrir o tacho de alguns funcionários públicos que passam tardes inteiras, sentados numa esplanada do Rossio, a ver passar as pessoas.
Depois pensei melhor, apercebi-me que isto só fazia sentido se estivesse a falar de tráfego e não de tráfico, e que, se calhar, estava a ser preconceituoso em relação aos mui trabalhadores colaboradores do Estado.
Este Observatório deve ser a sério.
Estamos muito habituados a ver a palavra tráfico ligada à palavra estupefacientes, e é para mim muito difícil dissociar estas palavras.
Por isso mesmo é que imaginei logo este diálogo entre uma beata e um arrumador de carros viciado em seres humanos:

[Arrumador viciado em seres humanos] – Ó senhora, deia-me uma moedinha faxabôr. É pr’apanhar o autocarro. A minha mãezinha tá muito mal e eu tou desempregado. Só me falto cinquenta cêntimos.
[Beata] – Não, não! Que eu sei que isso é para gastar tudo em seres humanos!
[A] – Num é não, senhora. Tou-lhe a dezer que é pra comer.
[B] – Ainda agora me disseste que era para o autocarro!
[A] – Pois mas preciso de comer senão desmaio no autocarro, num é?
[B] – Não, não. Vocês não me enganam, com esses pijaminhas de seda todos rotos!
[A] – Ande lá! É só pra matar o bicho.
[B] – Ao menos admite que é para seres humanos!
[A] – É verdade. Desculpe lá. Mas tou memo à rasquinha.
[B] – Eu vi logo. Já te meteste nisto há muito?
[A] – Há um tempinho. Agora só me contento com seguranças de bares de alterne e concorrentes ao “Homem mais forte do Mundo”. Tou muito mal. Comecei muito cedo, por brincadeira. Com uns chavalitos!
[B] – Pois. É como aqueles fulanos da Casa Pia. Bandidos!

P. S. – O maior beneficiário do tráfico de seres humanos é, como se sabe, o senhor Ryan, que detém uma transportadora aérea de low-cost, que permitiu que o tráfico aumentasse muito nos últimos anos. Estará seguramente a ser observado neste preciso momento.